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Laços Familiares: esclareça suas dúvidas

As famílias são nosso porto seguro. Os mais próximos de nós tem licença para nos dizer verdades, muitas vezes as que não queremos ouvir nem saber; nos dão muitas alegrias, são o motivo de nossa felicidade  e são também causas de tristezas profundas e muitas preocupações.

Por isso os laços familiares são tão delicados. E também por isso é importante que saibamos como fazer com as crianças quando um irmão vai chegar, quando pais tem que trabalhar o dia todo, quando há conflitos com avós e quando os pais decidem se separar. Veja como se portar e as dicas para cada uma destas situações.

– A chegada de um irmão

Estamos grávidos. Como e quando contar isso para nosso filho?

O melhor momento para contar para seus filhos que ele vai ganhar um irmão é antes de vocês decidirem contar para a família ou para os amigos. Ele deve ser o primeiro a saber. Dê a notícia em tom alegre, tranquilo, sem alardear demais e sem exageros desnecessários. A natureza dá nove meses de tempo para formar o bebê, modificando muito devagarinho o corpo da mãe  e ao mesmo tempo preparar psicologicamente a família para a chegada do bebê.

Aos poucos seu filho vai elaborando o crescimento da barriga e a presença do irmão lá dentro. Quando sentir a oportunidade, estimule-o a conversar com o irmão. Sem forçar, é claro. Nestes momentos procure entender suas dúvidas e eventuais medos. Afinal, ele está intuindo que haverá mudanças no horizonte próximo.

Próximo ao nascimento do bebê você vai observar que seu filho pode estar mais irritadiço, arredio às ordens e as tarefas de rotina, como comer ou tomar banho. Isso é normal. Ele está vendo a preparação do quarto, que inclui a colocação do  berço, as roupas pequenas que vão chegando e, acima de tudo, a incapacidade física da mãe de fazer o que antes executava sem esforço, como pegá-lo no colo, por exemplo.

Ele percebe, a cada dia, que a casa está mudando. E que todos estão se preparando para isso. É natural, em todas as idades, que a ideia que fazemos da mudança que está por vir  seja mais angustiante do que a nova realidade, propriamente dita. A expectativa gera mais ansiedade do que o fato consumado. As crianças tem um pensamento mágico que pode dar asas à imaginação com muita facilidade. O irmão que ainda não se materializou como real  pode virar um monstro, uma bruxa  ou um anti-herói gigantesco.

Por isso as semanas que antecedem o parto são difíceis. Depois que o bebê nasce e que o irmão o vê em carne e osso, sente-se aliviado. Não era um monstro ou uma bruxa alienígena. É tão somente um bebê. Seu filho agora  relaxa e respira aliviado. Por apenas algumas semanas, porém. É normal a fase do ciúme chegar depois. Comumente aparece com mais vigor na hora das mamadas.

Como lidar com o ciúme do irmão?

Uns tem mais, outros menos. Há, inclusive, os que não tem. Cada família tem uma dinâmica diferente. E cada criança tem suas demandas e seu temperamento próprio. O irmão do meio pode ter ciúme do menor e o mais velho implica mais com o do meio, ou vice-versa. A regra é que não há regra.

No entanto, o primeiro filho em geral é que sente mais a chegada do segundo, pois reinava absoluto, sem nenhuma concorrência. Tinha toda a atenção dos pais e dos avós. Agora tem que aprender, na marra, a dividir.

Aqui vão algumas dicas para ajudar.

– Quando o segundo filho nasce, é natural que familiares e amigos o presenteiem. Tente, dentro do possível, evitar que haja entrega de muitos presentes para o bebê na frente do irmão maior. Isso, naturalmente, aguça o ciúme e pode ser perfeitamente evitável.

– A mãe acaba de dar à luz e está mais limitada sob o ponto de vista físico. Além do mais, tem que dar de mamar para o pequeno bebê que, nos primeiros dias, não tem nenhum horário nem ritmo de acordar e dormir. Toda hora é hora. Resultado: sempre que possível, as mães devem descansar. Não é fácil brincar e cuidar do filho maior nesta circunstância. Portanto, os papais tem que ajudar. Dividam as tarefas. As mães estão absorvidas nos cuidados com o bebês. Os pais devem ficar mais próximos do irmão maior, cuidando das tarefas cotidianas de alimentação, banho e levar para a escola. Aproveitem para sair nos finais de semana, por exemplo. Parques são uma excelente opção. Joguem bola, brinquem, divirtam-se!

– Sempre que possível, solicite a ajuda do seu filho maior  nas tarefas com o bebê. Claro que ele deve receber missões totalmente factíveis para sua idade e que não envolvem nenhum risco para o pequeno irmão. Por exemplo, peça que ele escolha as roupas ou que ajude a lavar os pés do bebê na hora do banho.

– Quando alguém puder tomar conta do bebê, de preferencia em um final de semana, aproveitem, papais e mamães,  para dar uma saída, ainda que rápida, nos intervalos das mamadas,  com o filho maior. Façam um passeio, conversem e interajam bastante. Isso reforça os laços entre vocês e o seu filho vai se sentir aconchegado e seguro.

– Trabalho fora de casa

Trabalhamos o dia inteiro. Isso pode ser prejudicial para o nosso filho?

As mulheres evoluíram muito nos últimos anos. Conquistaram uma posição de maior independência. Entraram para valer no mercado de trabalho e se tornaram economicamente ativas, contribuindo decisivamente para o maior orçamento familiar.

Para tanto, pais e mães tiveram que reorganizar a dinâmica da casa e do cuidado com os filhos, uma vez que os dois passam boa parte do dia no trabalho. Creches, escolas, cuidadores, avós, aulas extras de esportes ou de  música, por exemplo, entram no cenário cotidiano das crianças.

Durante a semana, a família se encontra nos extremos do dia: na manhã e à noite . O problema é que no café da manhã todos estão apressados e, claro, ainda com um pouco de sono. À noite a exaustão e o cansaço dominam o ambiente. A irritação e o mau humor são a consequência óbvia. Nada fácil, não é mesmo?

Um sentimento amargo de culpa é inevitável. Pais cobram-se mais tempo com os filhos. Sentem-se credores eternos. Principalmente algumas mães. Sim, porque a nossa cultura ainda impõe à figura da mãe a obrigação do cuidado cotidiano dos filhos. Aos pais é cobrado o sustento econômico da família. Fato é que hoje as responsabilidades se mesclam. Por isso frequentemente vemos pais e mães sentindo-se pouco participantes do dia a dia das crianças.

Mas tudo tem solução. Neste caso é mais simples do que se possa imaginar.

Entendam que, de fato, a qualidade do tempo que vocês passam com seus filhos pode superar a expectativa da quantidade de tempo disponível.

Primeiro passo: acertem os horários à melhor dinâmica para a convivência familiar.

Vocês podem começar pela manhã, tomando café juntos. Acordem a tempo de todos estarem à mesa juntos. Preparem o café juntos, com a ajuda das crianças que, nesta idade, já estão aprendendo a comer sozinhas e podem colaborar com tarefas do tipo colocar o cereal em uma vasilha, por exemplo. Conversem. Fiquem a par do que seu filho pretende fazer no dia que começa.

Sempre que possível, levem seus filhos para a escola. Conversem mais durante o caminho. Ouçam música juntos.

Ao final do dia vocês se reencontram. Regra que vale ouro: procurem deixar os problemas do trabalho no trabalho. Principalmente aqueles que geram angústia e  mau humor. Às vezes é difícil. Mas vale o esforço. Pelo menos no momento em que estiverem com seus filhos.

Ao chegar em casa, façam alguma atividade com seus filhos. Pode ser a lição, um jogo, um esporte ou uma brincadeira. Banho, pijama e  depois jantem juntos. Conversem. Entrem no universo do seu filho. Saibam quem são os amigos, como é a professora  e o que eles fizeram ao longo do dia. Contem-lhes também o que vocês fizeram. Narrem episódios interessantes.  Isso é muito importante. Em todas as fases. Estudos demonstram que nas famílias que fazem pelo menos uma refeição juntos, conversando olho no olho, os adolescentes tem menor incidência de uso de drogas.

Depois siga a rotina e coloque seus filhos para dormir. Todos os dias. Conte ou leia  uma história. Estimula o pensamento mágico da criança, o que contribui fundamentalmente para promover o melhor desempenho cognitivo do seu filho.

Crianças dormindo. Agora vocês dois podem conversar e sentir-se com a tranquilidade de quem está fazendo o melhor para os filhos. E estão mesmo.

 O convívio com avós, primos e tios  é importante para o desenvolvimento do meu filho? E os amigos?

As crianças nesta idade gostam muito de saber e entender quais são os seus laços familiares. Isso é muito importante pois lhes dá a sensação de segurança e continuidade. Afinal, vocês, pais, também tem mãe e pai, a quem devem obedecer. Esta hierarquia é compreendida pelas crianças e serve de exemplo para suas próprias condutas de respeito aos outros.

Sempre que possível estimulem os encontros com primos, tios e avós. A convivência familiar é rica e geralmente permeada por emoções, por vezes conflitantes e tumultuosas, mas que também  contribuem para o crescimento de todos. Afinal, as relações familiares mais fáceis ou nem tão fáceis assim, isto é, permeadas por emoções difíceis também valem para apontar  o rumo do fortalecimento emocional.

Claro que os amigos são muito importantes. A vida fica muito mais gostosa com eles. Os encontros com os amigos são momentos em que nos divertimos e relaxamos bastante. E é muito importante para seus filhos entenderem que vocês, pais, também tem seus amigos com quem gostam de estar.

A convivência social é inerente a todos. Necessitamos uns dos outros para trocar experiências, vivencias, sentimentos, valores, opiniões, ensinar ou aprender coisas novas.

Familiares e amigos compõem nosso universo social. É exatamente  ambiente social, criado por vocês,  pais, que será  dividido com os seus filhos.

Vocês vão “apresentar” seus filhos ao mundo ao qual socialmente pertencem nos encontros e  festas. Tudo certo. Assim que funciona. Mas há um detalhe que merece uma lembrança: agora vocês são pais.

Tenham em mente que crianças aprendem não só com o que vocês, pais, falam, mas principalmente com as atitudes que vocês tomam e que nem sempre falam. Seus filhos com mais de 2 anos já tem capacidade para apreender observando vocês. E aprender.  Lembrem-se que vocês são o exemplo de conduta dos seus filhos.

Isso não quer dizer que vocês devem deixar de ser espontâneos nas festas com amigos ou nos encontros familiares e passarem  a agir como robôs ou máquinas que apenas  determinam regras de bons hábitos e costumes. Não é isso.

Significa apenas entender que a partir do momento em que se tem filhos, a conduta social  deve mudar um pouco. Isso  implica, necessariamente, que as atitudes tomadas por vocês passam a ter um limite que os valores, a cultura e o bom senso de cada um deve saber onde está. Definitivamente, ser pai e mãe envolve muitos ganhos. Mas algumas perdas também.

– Discordâncias de condutas entre pai e mãe

Eu digo para não fazer e o pai me contradiz. Deixa nosso filho fazer  o que eu normalmente proíbo. Como lidar com isso?

Filhos testam os pais. Especialmente quando desejam fortemente alguma coisa. Comer um chocolate antes do almoço, por exemplo. A mãe disse que não pode. O filho quer e está prestes a fazer um escândalo.  Olha para o pai que, para evitar o conflito eminente, cede e dá o chocolate.

Tudo errado. Educar não é fácil. É um processo cotidiano, por vezes exaustivo, muitas vezes desgastante e que parece não ter fim. De fato, não tem. Pais sempre estão e estarão colocando os filhos na linha quando julgarem que houve um desvio de conduta, ou que algo não está correto. Independentemente da idade do filho. Tudo certo. Afinal, a autoridade paterna e materna em relação aos filhos  é vitalícia.

Por isso desde sempre pai e mãe devem estar de acordo em relação ao que seus filhos podem ou não podem fazer. As regras da família devem ser elaboradas por vocês, pais, juntos. E estas regras valem ouro. Por isso devem ser seguidas.

Pais e mães podem discordar. Isso é normal e bastante salutar. Mas procurem não fazê-lo na frente das crianças, especialmente se o motivo da discórdia envolve uma decisão categórica  como a hora de ir para a cama, ou de parar de jogar os eletrônicos, por exemplo.

Façam acordos prévios entre vocês e os sigam na frente dos filhos. Se por alguma razão discordarem, evitem a contra ordem na presença das crianças. Isso os deixa inseguros e desconfortáveis. Conversem entre vocês e decidam juntos o que deve ser feito. Mantenham o acordo.

As crianças sabem, na verdade, muitas das coisas que podem ou que não podem fazer. Voltando ao exemplo anterior, sabem que não devem comer chocolate antes do almoço. Mas desafiam os pais para testar os seus limites de ação. Um não deixou e outro deixou. Duas ordens diametralmente opostas. Como vocês acham que fica a cabeça do seu filho? Imagine que você tem dois chefes no trabalho. Um te manda uma coisa e outro te ordena o oposto. O quê você faz?  Difícil, não?

Não pensem que a maior permissividade fará, ato contínuo, seus filhos  gostarem mais de vocês. Nada disso. As crianças sabem. Por isso aprendem, na verdade, a confiar em quem manteve a palavra correta e disse não.

Sejam coerentes com suas decisões e atitudes. Isso dá segurança para vocês e a para seus filhos.

– Conflitos com avós

Minha sogra está interferindo demais na educação do meu filho. Como lidar com isso?

Os avós são, depois dos pais, as pessoas mais influentes e importantes na educação das crianças. Por uma razão bem clara: são eles quem tem autoridade sobre os próprios filhos, agora transformados em pais.

Mais que isso: nutrem pelos netos um amor verdadeiro, sincero e absoluto, dado que resgatam nos netos a intensa renovação afetiva  por que passaram quando os próprios filhos nasceram. Revivem, com os netos, a experiência amorosa incondicional e tão importante em todas as idades. Neste sentido, a chegada dos netos também promove um outro “renascimento” de emoções nos avós.

Os avós são o porto seguro dos pais. Quando algo não está bem, ou quando precisam de uma grande ajuda, lá estão os avós, prontos e  a postos  para fazer o que for preciso para garantir a segurança e o aconchego dos netos.

Ouçam o que os avós tem para ensinar. Trocar ideias com eles é sempre bom e muito importante. Geralmente  tem uma bagagem de conhecimentos da vida que lhes confere credibilidade indiscutível de opiniões.

Por outro lado, quando as emoções são intensas, as divergências e alguns conflitos podem surgir com igual exuberância de sentimentos. Não raro, portanto, avós querem direcionar condutas em relação aos netos em um rumo que pode não ser aquele escolhido pelos pais. Por exemplo, avós querem dar balas e chocolates para os netos e os pais querem restringir esse tipo de alimentação. Ou chegam com muitos presentes, quando os pais querem ensinar os filhos a consumir.

Pequenos ou grandes conflitos podem existir. Não importa o tamanho. O problema é que geralmente isso deixa um dos pais em uma situação difícil, uma vez que não é fácil desagradar ou contrariar os avós, ou seja, os seus pais,  que ainda por cima ajudam quando precisa. Ouvem a reclamação do cônjuge e ainda por cima tem que encarar uma conversa para colocar limites nos seus próprios pais. Nada confortável ter que colocar limites em quem respeitamos e amamos desde crianças, não é mesmo?

Mas não tem jeito. Quem deve decidir os caminhos dos filhos são vocês, pais, e não os avós. Se, juntos, pai e mãe concordarem com uma orientação de conduta educacional, cabe aos avós respeitarem-na.

Só que para isso todos precisam ter claras quais são as regras que devem seguir. Para tanto, uma conversa franca e aberta entre os pais, juntos,  e os avós é muito importante. Expliquem suas razões, seus motivos e porque desejam seguir determinado caminho. Os avós podem não concordar e contra-argumentar. Mas no final, devem seguir exatamente o que vocês determinaram em relação à educação dos seus filhos.

Evitar conflitos em família é sempre a melhor opção. A intransigência e inflexibilidade de pensamento nem sempre é o caminho mais inteligente a seguir. Estejam abertos para escutar e saibam discernir com clareza de raciocínio. Evitem que  emoções irracionais decidam por vocês. Isso vale em todas as gerações: avós, pais e filhos.

– Separação dos pais

Vamos nos separar. Como explicar isso para nosso filho?

Muito provavelmente ele já sabe antes de vocês falarem.

Crianças tem um radar que é capaz de captar as emoções que se escondem em pequenos atos ou atitudes cotidianas. Sabem quando os pais não estão bem, passando por momentos de conflitos e discussões.

Para os filhos, é muito pior quando estas discordâncias são explícitas, envolvendo agressões verbais ou atos de violência como quebrar objetos ou bater portas.

Não é necessário dizer que os filhos devem ser absolutamente poupados de todas as questões de discórdia entre pais e mães. Poupados em todos os sentidos. Inclusive de presenciar e/ou  ouvir.

As brigas que naturalmente antecedem uma ruptura são um problema único e exclusivo do casal. Os filhos não tem absolutamente nada a ver com as razões  que os estão motivando discutir.

Mais importante: os filhos sempre serão seus. O pai sempre será o pai e a mãe, a mãe. Independentemente  de qualquer circunstância posta. Esta é uma história impossível de ser alterada. Por isso, é importante que os pais que se separam entendam isso e mantenham o respeito sobre a figura materna ou paterna, não obstante as próprias convicções pessoais. Mantenham a imagem do pai  e da mãe. Isso é fundamental para seu filho pequeno que, acreditem, também está desconfortável e sofrendo tanto ou mais que vocês.

Pai e mãe são simbolicamente os pilares estruturais dos filhos. Quando esta estrutura se rompe as crianças ficam naturalmente inseguras e preocupadas. Muito preocupadas. Por isso é importante vocês estarem juntos na hora de contar que vão morar em casas diferentes.

Sem drama e sem brigas. Esta é a melhor maneira de explicar para as crianças que vocês não estão mais namorando e que resolveram morar separados. Deixem claro, obviamente,  que isso não significa que vocês vão deixar de se ver. Coloquem que continuarão a se encontrar com frequência.

Não é fácil. Vocês também estão com as emoções à flor da pele. Por isso este momento deve ser cuidadosamente escolhido. Combinem antes e estejam psicologicamente preparados. Evitem que suas próprias emoções interfiram negativamente nesta conversa difícil com seus filhos. Procurem manter a calma, transmitindo-lhes a sensação de tranquilidade e, acima de tudo, de segurança. Não é o momento para propor mudanças severas de  rotina. Quando e se isso acontecer, tenham a certeza de que a criança já estará pronta para assimilar com a maior paz possível.

Não há como passar por esse processo de separação sem sofrimento. Mas a intensidade da angústia e do desconforto emocional  apresentado pela  criança pode ser balizado pelas atitudes de vocês, pai e mãe. Isso quer dizer que o comportamento de vocês é determinante, no sentido de moldar a  atitude emocional da separação. Pais seguros e confiantes que permanecerão presentes ao lado dos filhos, mesmo após separação, tem condições de transmitir maior sensação de segurança e conforto.

Por isso, elaborem bastante todo esse momento que não é fácil para vocês, pais. Mas seus filhos, com certeza absoluta, devem estar acima das discordâncias e divergências  que se interpuseram  entre vocês.

Preservem seus filhos. Mais que isso: preservem a opinião que seus filhos tem de vocês. Não desconstruam a imagem do outro. Isso pode ser pior  para quem o faz.

A atitude mais sensata  e importante neste momento emocionalmente conflituoso e difícil possivelmente seja a de tomar todas as decisões pensando no que é melhor para garantir o bem estar dos filhos. Não os usem, sob nenhuma hipótese, para quaisquer motivos que não sejam essencialmente vantajosos para eles mesmos.

 O passar do tempo vai colocando as emoções e as atitudes nos seus devidos lugares. Preservem seus filhos e tenham calma, segurança e transmitam conforto. Juntos ou separados. Sempre.

As pessoas da nossa família são essenciais para nossa alegria e felicidade. A convivência harmônica é sempre desejada, mas como muitas emoções, direitos e deveres estão envolvidos nas relações mais íntimas, muitos conflitos geralmente acontecem. As crianças não ficam de fora. Por isso é importante saber como se posicionar para que as “brigas” e discussões familiares as envolvam da forma mais tranquila e – sempre que possível- sem sequelas emocionais.

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.