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Guia de nutrição para bebês

Até os 6 meses a recomendação do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria é que o aleitamento materno seja exclusivo. Mesmo que por algum motivo individual você precise de fórmulas como complementação, antes desse período, é contraindicado oferecer qualquer forma de alimentos sólidos ou líquidos. Mas depois desse período, como se deve introduzir os alimentos aos bebês?

Essa é a fase da alimentação complementar e que deve ser feita de maneira fácil e sem estresse. Vamos apresentar um mundo novo de sabores, cores, texturas e cheiros. De maneira lenta, gradual e com calma. Começando pelas frutas raspadinhas. Todas. E nada de açúcar. De preferência da estação que são mais saborosas e baratas. Variar é sempre o mais indicado. A papinha do almoço aos poucos vai apresentando alimentos desfiados e picadinhos, sempre respeitando o desenvolvimento do bebê. Perto dos 12 meses, toda a família já pode compartilhar as refeições.

Reunimos as principais perguntas dessa fase, com dicas práticas e fáceis para que você possa encontrar o melhor caminho de tornar essa fase saudável e sem estresse. E claro, ao final, tem receitinhas!

Aproveitem!

  • Tem um monte de métodos diferentes para oferecer comida ao meu bebê. Qual é o melhor?

O melhor método é aquele que o bebê e a mãe melhor se adaptam.  O mais importante é entender que o lactente pode receber os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também deve experimentar com as mãos, explorar as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado sensório motor. Deve-se estimular a interação com a comida, evoluindo de acordo com seu tempo de desenvolvimento

  1. Papinha

O método tradicional baseia-se na orientação de inicialmente ofertar os alimentos em forma de papas e purês, e gradativamente, evoluir a consistência adaptando para papas com pedaços maiores de alimentos, até chegar a consistência da família por volta dos 12 meses de idade do bebê. A oferta de alimentos deve ser variada e atender as necessidades nutricionais do bebê.

  1. BLW

O Baby-Led Weaning (BLW) que significa o desmame guiado pelo bebê, defende a oferta de alimentos complementares em pedaços, tiras ou bastões. Neste método, os pais oferecem os alimentos e o bebê terá total autonomia no controle da fome, no quanto vai comer e como vai comer, criando assim o seu hábito alimentar e também aumentando controle da saciedade.

O bebê fica em contato com o alimento onde interage com formas, cores, sabores e texturas diferentes dos alimentos. É fundamental que o bebê sente sem apoio, leve objetos à boca, para indicar que já está pronto para este tipo de introdução alimentar

  • E para montar o prato do bebê? Como eu faço?

Sigam essas dicas!

  1. Nessa fase, as refeições principais (almoço e jantar) podem ser oferecidas de duas maneiras: papinha, como na papinha de partida (somente no início da alimentação complementar), ou com os alimentos separados, mantendo a consistência ideal para a idade do seu bebê.
  2. Cada alimento dever ser preparado e oferecido separadamente no prato, porque dessa maneira o bebê será capaz de reconhecer o sabor, a cor e a textura de cada alimento.
  3. Você pode separar a porção do bebê antes de temperar com sal e outros condimentos mais fortes para o resto da família. Com isso, o bebê já irá se acostumando com os sabores e compartilhará mais rapidamente da comida habitual de toda a família.
  4. A refeição principal deve conter pelo menos 1 alimento dos 4 grupos diferentes (veja tabela abaixo). Sempre que possível, varie os alimentos dentro de cada grupo. E dê preferência aos alimentos que estão na safra, já que são mais saborosos, nutritivos e baratos.
  5. Para te ajudar a compor o pratinho do seu bebê, ilustramos os grupos dentro de um prato: ½ dever ser de verduras (dar preferência para as verdes escuras) e legumes, ¼ de cereais e tubérculos, ⅛ de leguminosas e ⅛ de proteína animal. Pode incluir também a fruta de sobremesa.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria. Imagem: Graziela Baladão.

  • Qual é a consistência ideal?

Iniciamos com a consistência de papas e purês, sendo que nessa fase os alimentos devem ser amassados com um garfo e não liquidificados ou passados pela peneira.  Depois, vamos evoluindo para alimentos em pequenos pedaços, raspados ou desfiados aos 8 ou 9 meses, finger foods (alimentos para comer com a mão) aos 9 ou 10 meses e finalmente a comida da família com aproximadamente um ano de idade. E não se esqueça de ofertar água, entre os 7 até 12 meses, o bebê deve ingerir aproximadamente 800 ml de água por dia.

  • Qual é a quantidade ideal?

Depende muito de cada criança. O bebê, no início da alimentação complementar, pode comer super bem ou não. À medida que ele cresce e se desenvolve, essa quantidade aumenta gradativamente. É importante respeitar o tempo e a individualidade de cada um. A melhor maneira de saber se a quantidade de alimentos que o seu bebê come está adequada é avaliar o crescimento dele. Por isso, o peso e a altura na curva de crescimento para cada idade devem ser acompanhados sempre por profissionais da saúde (pediatra ou nutricionista).

  • Como preparar?

Antes de começar a cozinhar, é muito importante o cuidado com a higiene, tanto no preparo quanto na oferta dos alimentos. Lave as mãos adequadamente, utilize água de boa qualidade, lave com atenção as frutas, verduras e legumes, e caso sejam consumidos crus e com casca, deixe-os molho por dez minutos, em solução clorada, utilizando produto adequado para esse ­ fim (ler rótulo da embalagem), na diluição de uma colher de sopa do produto para cada litro de água. Em seguida, enxague em água corrente novamente.

Não tenha medo de variar! Quando pensamos em comida de bebê, sempre nos vêm a cabeça preparações cozidas no vapor ou tipo sopão. Mas na verdade, podemos utilizar diferentes formas de cozinhar os alimentos dos bebês, como legumes assados, salteados (com um pouco de óleo ou azeite) ou até mesmo grelhados (dependendo o alimento, você pode dar uma pré-cozida antes para que fiquem mais macios).

Cada forma de preparo, agrega sabores diferentes aos alimentos. E depois de prontos, podemos oferecê-los na consistência ideal à fase do bebê, seja amassado com o garfo, ou picados em cubinhos ou em sua forma original se tiver quase 1 aninho.

  • Como temperar?

Use o básico, que já está acostumada a usar para a temperar a cozinha da família, como alho, cebola, salsinha, cebolinha, orégano, coentro e outras ervas de sua preferência. Os alimentos podem ser preparados com um pouco azeite ou óleo vegetal (milho, soja ou girassol) para adicionar sabor também. Temos que lembrar que estamos introduzindo o bebê a novos sabores. É importante ele já sentir o sabor da comida bem temperadinha.

  • E o sal?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que não seja adicionado sal no preparo dos alimentos dos bebês. Você já deve ter ouvido o termo, papa salgada? Agora chamamos de papa principal, justamente para não estimular a adição do sal nas refeições principais (almoço e jantar) dos bebês.

  • Como armazenar?

Os alimentos prontos podem ser armazenados na geladeira por até 3 dias, de preferência, em potes de vidro com tampa.

  • Como congelar?

Ter comida congelada adequadamente, facilita a refeição da família, assim como, do bebê. Para isso, o congelamento dos alimentos dever ser feito em potes pequenos, preferencialmente também de vidro ou plástico livre de BPA, já na quantidade a ser oferecida ao bebê. Uma ideia legal, é congelar os alimentos em forminhas de gelo (com tampa), assim na hora de compor o prato, é só incluir os “cubinhos” de cada grupo dos alimentos. A comida congelada pode ser armazenada no freezer por até 30 dias ou no congelador (existente em geladeira de 1 porta só) por até 10 dias.

  • Como descongelar?

Primeiramente, só descongele o que o bebê realmente for consumir. O descongelamento pode ser feito na geladeira mesmo ou o alimento pode ser levado diretamente para o aquecimento ou cozimento. Não descongele em temperatura ambiente. E uma vez descongelado, não deve voltar ao freezer, a não ser que este alimento tenha sido descongelado cru, pode ser congelado novamente depois de cozido.

  • Condições especiais como alergias: o que fazer?

Para que o bebê seja diagnosticado como alérgico, é preciso que seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar: nutricionista materno-infantil, pediatra e alergista. Entre os sintomas mais comuns da alergia alimentar, estão a presença de sangue nas fezes, as manchas pelo corpo, inchaços na língua e na região da boca, gases e cólicas fortes. A partir do diagnóstico correto, a criança pode seguir essa fase tranquilamente. É preciso excluir totalmente da dieta esse alimento alergênico, assim como preparações culinárias e alimentos industrializados que possam contê-lo. Fique sempre de olho quando ofertar alimentos mais dito “alergênicos”, como: nozes, castanhas, amendoim, ovo, peixe. De preferência, um por vez, e esperar até 4 dias antes de oferecer novamente para ter certeza de não aquele alimento não causou nenhum sintoma citado anteriormente.

  • Meu filho não aceita: o que fazer?

Não desista. Em média, é preciso oferecer de 8 a 12 vezes o mesmo alimento para que ele seja aceito pelo bebê. Então tente variar a maneira que você prepara o mesmo alimento. Por exemplo: a cenoura pode ser servida em palitinhos cozida no vapor, ou em forma de purê (sem leite e sem manteiga), ou ralada na omelete, ou em cubinhos cozida junto com a carne moída. A paciência e suavidade, com palavras de afeto e carinho devem fazer parte desse momento tão especial para a vida dos papais e dos bebês. O importante é ofertar alimentos nutricionalmente adequados, ou seja, com qualidade ao bebê, pois a quantidade será ele quem vai definir, uma vez que eles têm o mecanismo de regulação de saciedade muito bem definidos, sabem exatamente o quanto precisam, por isso não devemos forçar ou insistir ou

mesmo chantagear. Basta ficar atento aos sinais de saciedade que o bebê demonstra e confiar nele!

  • Receitas

Picolé de banana (idade recomendada: a partir do sexto mês)

2 bananas maduras

Modo de preparo: descasque as bananas e corte-as em rodelas. Leve ao freezer por aproximadamente 4 horas. Utilizando um liquidificador ou processador de alimentos ou mixer, bata as bananas até que fique uma mistura cremosa e homogênea. Coloque em forminhas de picolé. Volte ao freezer por mais 4 horas. Para desenformar, jogue um pouco de água fria do lado de fora da forminha e puxe com cuidado o picolé.

Dica: esse picolé ajudar a amenizar a sensibilidade das gengivas durante a dentição.

Hamburguinhos de lentilha vermelha com cenoura ralada (idade recomendada: a partir do nono mês)

2 xícaras (chá) de lentilha vermelha cozida
1 cenoura ralada finamente
2 colheres (sopa) de farelo de aveia
1 dente de alho grande picado
½ xícara (chá) de cebola picada
½ xícara (chá) de cheiro verde picado (salsinha e cebolinha)
1 colher (sopa) de azeite de oliva
1 colher (chá) de cúrcuma

Modo de preparo: Misture todos os ingredientes em um processador de alimentos. Modele os hamburguinhos. Asse em forno médio (180 oC) por aproximadamente 30 minutos (vire na metade do tempo), até que fiquem dourados. Se preferir, pode grelhar os hamburguinhos em frigideira com um fio de azeite de oliva. Grelhe dos dois lados.
Dica:  Para assar os hamburguinhos, cubra a assadeira com papel antiaderente (mais grosso que o papel manteiga), dessa maneira fica mais fácil de virar os hamburguinhos e não suja a assadeira!

Pão de beijo (idade recomendada: a partir do décimo mês)

2 xícaras (chá)de batata doce (cerca de 300g)
2 xícaras (chá) de polvilho azedo
½ xícara (chá) de azeite de oliva
¼ de xícara (chá) de água
1 colher (sopa) de orégano desidratado

Modo de preparo: Antes de tudo, cozinhe a batata doce. Em uma panela com água fervente, coloque a batata doce picada e deixe cozinhar até ficar macia (espete um garfo e ele deve atravessar com facilidade). Escorra bem e em seguida amasse-a ainda quente com um garfo, até obter um purê uniforme. Reserve. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Em uma vasilha, coloque o polvilho azedo, o azeite de oliva, a água, o orégano e o purê. Misture bem, se preferir, pode amassar com as mãos. Se necessário, acrescente um pouco mais de água até atingir a consistência ideal. Modele bolinhas pequenas e coloque em uma assadeira antiaderente. Leve para assar por cerca de 30 minutos ou até os pãezinhos ficarem completamente assados e dourados. Caso utilize a fritadeira sem óleo, asse a 200°C por 10 minutos. Está pronto!

Dica: Os pãezinhos podem ser congelados. Para assá-los, pode levar direto do freezer para o forno. O tempo de preparo pode aumentar uns 5 a 10 minutos se estiverem congelados. Caso você não tenha batata doce em casa, pode utilizar batata inglesa ou mandioquinha ou inhame.

 

Agradecimentos

Obrigada a Vivi @vivianelzsimomura e a Ju @juwatanabe nutricionistas, que assim como eu, acreditam que quanto mais clara e simples forem as recomendações, mais fácil fica praticar uma alimentação saudável.

Um beijo,

Carol Pimentel.

Publicado por Dra Carolina Pimentel
Dra Carolina Pimentel. Nutricionista. Mestrado e Doutorado pela USP. Especialista em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of Lifestyle Medicine.