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Volta às aulas com segurança: é possível?

Ninguém poderia imaginar que no início do ano de 2020 praticamente TODAS as crianças do mundo estariam impedidas de ir às escolas por conta de um vírus mortal que não só as ameaça, mas também- e principalmente- ameaça suas famílias.

A vida é cheia de surpresas e por isso sempre é mais prudente estarmos preparados para que, com segurança, tomemos as atitudes mais indicadas nestes duros tempos de pandemia.

Por isso, pais, professores e funcionários da educação estão com muitas dúvidas sobre a segurança na volta às aulas presenciais. Importante frisar que estas dúvidas valem para todas as famílias: das crianças, dos professores e dos funcionários.

Dentre tantas, talvez a dúvida mais significativa de todas é a que se coloca abaixo; razão pela qual começamos por aqui nossa reflexão sobre este assunto tão importante:

Ensino presencial ou virtual?

Ninguém tem a menor dúvida de que o ensino presencial, com todas as características com que foi sendo emoldurado, ao longo de séculos e séculos na história humana, é – e por muito tempo será- a melhor forma de aprendizado e retenção de conteúdos.

O contato humano que se estabelece entre alunos e professores, com todas as relações de sentimentos, por vezes até contraditórios, num espectro que vai do gostar ao não gostar, é que é capaz de produzir retenção mais sólida e fácil de conhecimentos. O contato presencial entre os alunos, por sua vez, também com todas as cores de sentimentos envolvidos, é um aprendizado essencial para o processo natural de crescimento e desenvolvimento de todos.

Pode ser que no futuro nós, humanos, estejamos mais afeitos às relações virtuais de aprendizado. Mas por enquanto, nos tempos pandêmicos atuais, isto ainda está longe de acontecer. Por isso vamos colocar os pés nos nossos dias de 2020 e com eles bem firmes neste tempo vamos raciocinar juntos.

Não há dúvida: as aulas presenciais são mais ricas em todos os sentidos. Proporcionam o que mais enriquece uma pessoa em sua formação de valores: aquisição de conhecimentos cognitivos e vivências e aprendizados humanos de sentimentos diversos e- mais que tudo- ensina na prática como lidar com estes sentimentos.

Quem não se lembra de um professor ou amigos que marcaram a nossa infância ou adolescência? Quanto conhecimento, valores e exemplos aprendemos observando nossos professores e amigos? Quanto crescemos com as broncas recebidas, advertências, notas ou elogios dos nossos professores? Quanto aprendemos com brigas, desavenças, demonstrações de amor, afeto, amizade, empatia ou de solidariedade com nossos amigos?

Este talvez seja o grande legado do ensino presencial em nossas vidas: tudo o que aprendemos com nossos inúmeros professores e amigos.

Tudo isso é insubstituível.

Mas agora estamos – todos- sob a terrível ameaça de um vírus e por isso abruptamente tudo isso teve que mudar. Mais uma vez escolas e professores se superaram em agilidade e rapidamente tomaram atitudes para fazer do ensino virtual – o único possível-  o melhor de todos para que os alunos não perdessem o tempo precioso de sua formação educacional.

E assim foi feito. Alunos e professores rapidamente se adaptaram ao ensino e aprendizado – possível- à distância.

O grande problema é que o ensino virtual não se faz possível para muitos alunos com maior vulnerabilidade social. Neste cenário socialmente injusto, a grande preocupação é o “hiato” educacional que se impõe e, decorrente disto, a triste possibilidade de evasão escolar.

Por todas as razões, podemos inferir que o ensino presencial, em todos os extratos sociais, é mais valioso e superior.

No entanto, o novo Coronavírus se espalhou e as necessidades de saúde- e de nos mantermos vivos, sem correr riscos- foi imperativa e sobrepujou a possibilidade de manter escolas abertas em funcionamento.

Passados 5 meses dentro de casa, indicadores apontam para a possibilidades de reabertura gradual, o que inclui a abertura das escolas.

No entanto, o vírus segue à solta e sem controle, posto que não atingimos ainda o que se chama de imunidade de “rebanho” (quando a maior parte da população já teve a doença e não transmite mais) e não temos uma vacina, prometida para 2021.

Portanto, respondendo à questão acima, no meio de uma pandemia que ainda não está controlada, para a qual ainda não temos vacina, mesmo levando em conta os enormes benefícios do ensino presencial, o ensino virtual é o único possível.

O ensino presencial é melhor, mais abrangente e muito mais eficaz. No entanto, estamos ainda no meio de uma pandemia. Quais os riscos para a saúde das crianças, professores e funcionários na volta às aulas presenciais?

Fica mais fácil refletir sobre as vantagens e riscos de voltar às aulas presenciais se dividirmos o tema de acordo com as  peculiaridades das diferentes faixas etárias.

Crianças até 2 anos de idade

Vamos pensar juntos sobre os seguintes fatos:

– Crianças até 2 anos NÃO devem usar máscaras, de acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria, pois correm o risco de se sufocarem.

– Crianças menores de 2 anos NÃO têm condições racionais para entender o que significa distanciamento social e seguramente vão chegar perto umas das outras.

– Um dos maiores benefícios que escola pode trazer para esta faixa etária é o aprendizado da socialização; o que estará extremamente prejudicado por duas razões:

  1. As escolas só poderão receber 30- 35% dos alunos a cada dia.
  2. Os professores se esforçarão para manter as crianças longe umas das outras, sem a interação próxima tão importante nesta idade.

– Um estudo realizado na Universidade de Granada, Espanha, apontou que uma classe com 20 alunos sem máscaras significa, em apenas 2 dias, contato indireto de 880 pessoas.

A partir destes dados, portanto, infere-se que mandar crianças de até 2 anos para as escolas pode ser extremamente arriscado e certamente trará poucos benefícios na prática.

“Eu preciso trabalhar. A escola é importante para que eu possa voltar às minhas atividades profissionais”.

Famílias que têm dificuldade estrutural de manter as crianças em casa, por motivos como necessidade de trabalho dos responsáveis, por exemplo, podem refletir e elaborar as melhores soluções individuais para cada núcleo familiar.

Estas famílias devem levar em consideração o fato de que as crianças deverão frequentar as escolas em regime de rodízio; ou seja, alguns dias da semana estarão na escola e outros dias em casa. 

Podem, no entanto, refletir se existe a alternativa de deixar o filho em casa aos cuidados dos avós, tios ou de um cuidador. Esta pode ser  uma solução mais eficaz, posto que em casa todo o tempo a criança não se expõe, fica mais segura e tem menor chance de contaminar os avós, por exemplo.

Crianças de 2 a 6 anos de idade

Nesta faixa de idade o uso de máscaras é permitido. No entanto, muitos dos pequenos não têm ainda como entender racionalmente a importância do distanciamento social. Isso é um fator de risco.

Outro dado a se pensar é o seguinte: qual é o grande benefício do convívio escolar para estas crianças? A socialização e tudo de bom que vem junto com esta prática.

Portanto, nesta faixa de idade as famílias devem avaliar com critérios claros, individualmente, considerando sua estrutura própria, se vale ou não a pena correr riscos e mandar as crianças para as escolas.

Valem aqui também os argumentos acima expostos e sempre é bom lembrar que as crianças voltarão em esquema de rodízio; o que significa que algumas terão aula e outras ficarão em casa. A ida para as escolas, portanto, não vai ajudar às famílias cujos pais precisam trabalhar todos os dias.

Crianças com mais de 7 anos e adolescentes

A partir dos 7 anos as crianças e adolescentes já conseguem ter clara noção racional da necessidade de usar máscaras e de manter o isolamento social. Por isso, a partir dos 7 anos de idade a segurança é muito maior para crianças, professores, funcionários e respectivas famílias.

Some-se a isto o fato de que para este grupo há, sim, um conteúdo cognitivo robusto a ser assimilado.

Portanto, cabe aos pais conversar com as escolas para ver quais são as medidas de prevenção que cada escola deve tomar para que as crianças possam retornar com a máxima segurança possível.

Quais são as medidas que as escolas devem tomar para receber as crianças e garantir a segurança de todos, inclusive dos professores e funcionários?

Na entrada das crianças

– Fazer um esquema de horários que evite aglomeração de pais, cuidadores ou crianças na porta das escolas.

– Crianças com mais de 2 anos devem ficar o tempo todo de máscaras. Devem levar mais de uma máscara, pois a mesma deve ser trocada depois de 4 horas ou antes, se por acaso molhar.

– Tirar ou desinfetar os sapatos.

Esta é uma medida importante especialmente para crianças pequenas, que têm aulas sentadas no chão, por exemplo.

– Aferição da temperatura

Esta é uma medida controversa, posto que a criança pode chegar sem febre e 30 minutos depois estar com temperatura alta. Por isso, a aferição da temperatura na entrada pode ser dispensável.

No entanto é fundamental que os professores identifiquem crianças que estejam com febre ou que refiram não estar bem. Estas, sem dúvida, devem ter suas temperaturas aferidas. Se a febre, de fato, se confirmar, ou se uma criança apresentar quaisquer sinais de gripe ou diarreia, deve aguardar os pais em uma sala, isolada das outras.

IMPORTANTE: pais e cuidadores devem ser orientados a NÃO MANDAR CRIANÇAS COM FEBRE OU COM QUAISQUER OUTROS SINAIS E SINTOMAS DE DOENÇA PARA A ESCOLA.

– Lavar as mãos com água e sabão ou desinfetar com álcool gel a 70%.

É importante que, na chegada à escola as crianças higienizem as mãos com água e sabão ou com álcool gel.

Crianças podem levar álcool gel para a escola?

Crianças menores NÃO devem levar, pelos riscos inerentes ao produto. As crianças maiores de 7 anos já têm mais condições entendimento do uso correto do álcool gel.

 Salas de Aula

O distanciamento social de 1 a 2 metros de distância deve ser mantido.

As salas devem ser ventiladas.

Não se deve compartilhar material escolar.

 Hora do recreio

O distanciamento social deve ser mantido.

– Pode haver um revezamento das crianças no recreio.

– O ambiente onde as crianças tomam o seu lanche deve ser necessariamente ventilado, pois as crianças devem tirar as máscaras para comer.

– Devem lavar as mãos antes e depois do lanche.

Banheiros

Os banheiros devem ser ventilados e limpos com frequência.

Um dos sintomas da Covid 19 é a diarreia. O vírus pode ficar em suspensão no ar. Por isso as crianças devem ser orientadas a dar descarga com a tampa do vaso fechada.

– Funcionários que cuidam da higiene dos banheiros devem ter proteção adequada, o que deve incluir, além das máscaras, “face shield” e luvas. Devem receber as orientações de uso.

Término das aulas

– Todas as salas devem ser ventiladas e desinfetadas.

Chegando em casa

– As crianças devem tomar banho e, inclusive, lavar a cabeça. As roupas ou uniformes devem ser também ser lavados.

– O material escolar e as mochilas devem ser desinfetados com álcool gel.

Estou na dúvida: devo ou não mandar meu filho(a) para a escola?

É mesmo uma decisão difícil. Para facilitar sua reflexão, procure responder às perguntas abaixo e veja em qual situação você e sua família se encontram.

  1. Seu filho tem alguma doença que pertence aos grupos de risco como, por exemplo, diabetes, doenças cardíacas, oncológicas, respiratórias ou quaisquer outras situações crônicas que o tornem mais vulnerável e susceptível às infecções e suas complicações?

Se você respondeu SIM, considere fortemente a possibilidade de não mandar seu filho para a escola até que a vacina o proteja.

  1. Há alguém morando com vocês que esteja no grupo de risco? Por exemplo: idosos ou pessoas com diabetes, hipertensão ou outras doenças crônicas?

Se você respondeu SIM, também vale considerar o risco de mandar seu filho para a escola, pois aumenta a probabilidade de que haja contaminação das pessoas vulneráveis no seu núcleo familiar.

  1. Se o seu filho tem mais de 2 anos de idade, você considera que ele é capaz de manter a máscara e entender e respeitar o distanciamento social adequadamente?

Neste tópico podem-se enquadrar muitas crianças com ou sem necessidades especiais que dificilmente conseguem ficar com máscara e manter o distanciamento.

Entenda-se aqui que a inclusão de TODAS as crianças – com ou sem necessidades especiais- nas escolas é um direito indiscutível e deve, acima de tudo, ser respeitado.

No entanto, em tempos de pandemia e consequente risco à saúde de todos, é importante que cada família avalie individualmente se por alguma razão é maior a  chance da sua criança se contaminar e/ou contaminar pessoas que a cercam, uma vez que não há condições para seguir corretamente as regras e orientações de segurança.

Se você julgar que seu filho corre mais risco, não convém manda-lo à escola.

  1. Sua família tem uma estrutura de suporte para cuidar do seu filho, caso ele não vá à escola?

Esta é uma questão que merece uma reflexão importante. Tudo indica que as escolas que abrirem o farão com capacidade reduzida, em esquema de rodízio, recebendo mais ou menos 30 a 35% das crianças, para que o distanciamento social dentro das salas de aula seja mantido.

Tudo certo. Só que isso significa que seu filho NÃO irá todos os dias à escola. Algumas falam em semana sim, outra não; algumas falam em dias alternados e ainda há as que pretendem modificar o horário de uma forma diferente a cada dia. Ou seja: não haverá uma rotina de dias ou de horários e o que muito provavelmente vai acontecer é o ensino híbrido, isto é, virtual e presencial ao mesmo tempo.

Por isso, praticamente todas as famílias terão que ter uma estrutura de suporte, caso os pais necessitem sair para trabalhar todos os dias. Nestes casos, a família deve decidir se vale mais a pena mandar a criança para a escola neste esquema de horários alternados ou deixa-la em casa, sem expô-la, aos cuidados dos avós ou cuidadores, por exemplo.

  1. A escola tem condições de manter as medidas indicadas de segurança?

Os pais devem saber exatamente quais serão as medidas que as escolas dos seus filhos vão tomar para protege-los – e também proteger todos professores e funcionários – dos riscos inerentes à volta às aulas presenciais. Pais só devem mandar seus filhos se tiverem certeza de que a escola está segura e seguindo as orientações de segurança.

E os professores e funcionários? Como devem proceder?

Há muitos professores e funcionários da educação que têm condições crônicas que os colocam no grupo de risco. Há também muitos professores e funcionários que moram com pessoas que estão nos grupos de risco.

Esta é uma situação bastante delicada. Recomenda-se que as escolas procurem colocar na linha de frente, em contato direto com os alunos, os professores e funcionários que não se enquadram no “risco”. Como haverá uma restrição e as escolas funcionarão com 30% da sua capacidade, este arranjo pode ser viável.

Professores e funcionários têm o direito de exigir das escolas o equipamento de proteção individual adequado como máscaras N95 e “Face Shield”. Devem também manter o distanciamento dos alunos. Sempre vale lembrar que as crianças são, em sua grande maioria, assintomáticas. No entanto, são grandes transmissoras do vírus. Por isso, todo cuidado é pouco.

Especial cuidado e orientação devem receber os funcionários responsáveis pela higienização dos banheiros, pois sabe-se que um dos sintomas da Covid 19 em crianças é a diarreia. Sabe-se também que o vírus pode ficar em suspensão no ar por mais ou menos 3 horas. Por isso, o equipamento de proteção para cada funcionário é essencial.

Professores e funcionários devem seguir as mesmas regras – acima descritas- de segurança  ao entrar e sair da escola.

Este “tempo perdido”, sob os aspectos de interação social e de assimilação de conhecimentos, pode ser recuperado ou deixará uma lacuna insubstituível no processo integral de aprendizado?

O rendimento escolar ficou extremamente prejudicado neste ano de 2020. Não há dúvidas de que as crianças aprenderam menos. Isso certamente aconteceu em todas as faixas econômicas e sociais.

Claro está, no entanto, que os mais prejudicados foram os alunos com maior vulnerabilidade social. As razões são várias e vão desde a dificuldade das escolas públicas em manter o ensino à distância com qualidade, por conta da dificuldade em se ter um celular, tablet ou computador disponíveis aos alunos e – principalmente- conectados a uma internet de qualidade.

Além disso, nem sempre os pais ou responsáveis por estas crianças têm a disponibilidade e o conhecimento necessários para ajuda-las nas tarefas propostas. Sem dúvida nenhuma que estas razões podem ter facilitado a evasão escolar. Este é o grande problema que enfrentaremos. Por isso, gestores devem conduzir políticas educacionais precisas e eficazes para reposicionar crianças e adolescentes no caminho da educação. Isso é essencial.

Ao mesmo tempo, JAMAIS subestimem a incrível capacidade de adaptação às adversidades e desafios de professores, funcionários e alunos.

Todas estas pessoas têm uma capacidade fantástica e surpreendente para se reinventar em situações novas, por mais complexas que possam parecer. Crianças, adolescentes e quem convive e/ou trabalha com essa turma têm uma rapidíssima capacidade de reorganização para solucionar novas situações que a todos os momentos se apresentam de surpresa.

Crianças são assim: incrivelmente imaginativas e facilmente adaptáveis a novas situações. Simplesmente porque não têm ainda a incorporação de estruturas rígidas de ideias, conceitos ou de comportamentos. Esta “rigidez” mais acentuada e mais inflexível é característica do mundo adulto. Adultos dificilmente conseguem sair de sua zona de conforto. Exceção honrosa, claro, aos professores que, por lidarem com crianças e suas cabecinhas mágicas, adaptam-se com muito maior facilidade às situações mais inusitadas.

Por isso acredito que após a vacinação de todos e a retomada real às aulas, as escolas e seus alunos vão recuperar esse “tempo perdido” com tranquilidade. Não tenho dúvidas a esse respeito. Todos os conhecimentos serão, a seu tempo, assimilados. Os conteúdos programáticos serão progressivamente ensinados, com a calma e a sabedoria que só os educadores têm para nos passar.

As relações humanas presenciais serão novamente enriquecedoras para todos nós. Teremos de novo – sem nenhuma dúvida a esse respeito- o prazer de abraçar, beijar, brincar, jogar bola, torcer para nossos times e tantas outras atividades que nos dão a certeza de que a vida em sociedade é de fato insubstituível para todos nós.

Há muito tempo para aprender. Tenham calma e muita paz quanto a isso. Na realidade, o aprendizado de uma vida nunca acaba. É constante e incrivelmente desafiador. Aproveitem cada segundo- inclusive este período de reclusão- para se renovarem e aprenderem algo novo e diferente que enriqueça sua existência e a de quem está à sua volta.

As adversidades – em TODAS as idades- também nos ensinam e fazem crescer. Desde que, claro, estejamos abertos a aprender.

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.