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Urticária pode ser emocional?

Cada pessoa tem suas peculiaridades próprias e únicas. Nossas reações são diferentes e individuais. Uma mesma situação pode gerar extrema irritação em algumas pessoas e nenhuma reação em outras. Por exemplo, você se irrita quando alguém fura a fila no trânsito e passa na sua frente? Ou fala alto no celular perto de você? Pois é. Com certeza estas duas situações já foram motivo de muita briga por ai.

A alergia é exatamente assim. O que provoca reação importante em uma pessoa, pode não significar absolutamente nada para outra.

E a urticária é uma forma de reação alérgica, que se caracteriza por placas vermelhas espalhadas pela pele, que coçam bastante e que vem e vão com muita rapidez. Aparecem e desaparecem. O problema é que esse vai e vem pode durar dias ou semanas. Considera-se urticária aguda quando dura menos que 6 semanas; e crônica quando ultrapassa esse período. Tem tratamento. Mas o melhor é evitar o que a causou. Aí está o grande problema: descobrir exatamente qual a causa da urticária.

Essa é a tarefa mais difícil, pois em boa parte das vezes não conseguimos identificar quem foi o responsável. As pessoas acometidas fazem um intenso retrospecto de tudo diferente com que tiveram contato nos dias precedentes às lesões e… nem sempre tem sucesso. Será que foi a comida? Foi o maldito pernilongo? O pelo do gato da sogra? O remédio para dor de cabeça? O excesso de exercício físico? O calor? O amaciante de roupa? Ou a roupa nova? Ate a abobrinha da pizza que estava esquisita passa pela cabeça.

Um estado emocional mais conturbado também pode dar urticária. Sim, o estresse emocional pode, como tantos outros fatores, desencadear urticária. Pessoas que passam por momentos emocionais conturbados podem se surpreender com a presença das placas vermelhas pelo corpo.

A urticária de origem emocional incomoda muito. Não só pelas placas e pela coceira, mas também porque insiste em expor na pele situações emocionais que, muitas vezes, preferiríamos guardar. Nosso corpo também tem suas sutilezas incompreensíveis!

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.