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Opções de lazer sem eletrônicos

O mundo de hoje é pautado pelo uso de eletrônicos. Crianças pequenas ficam “hipnotizadas” quando se grudam em qualquer tela. Quais seriam as outras opções de lazer, além dos eletrônicos, que podemos oferecer para nossos filhos?

Aos 2 anos de idade as crianças já estão andando e correndo. Precisam conquistar o espaço. Fazem isso conhecendo e explorando cada cantinho da casa e dos locais onde se encontram.

Além disso, tem uma energia vital difícil de ser contida. Não param. Gostam de atividades ao ar livre, onde tem a possibilidade de explorar novos ambientes e novas sensações tácteis.

Por outro lado, o mundo de hoje é cheio de atrativos para as crianças. O universo eletrônico se mostra como uma possibilidade infinita de cores, músicas, jogos e tantas outras atividades desvendadas pelos movimentos certeiros dos dedinhos das mãos. E como atraem os pequenos! Mas precisamos faze-los entender que o mundo tem outras possibilidades reais, não virtuais, com texturas, cores e cheiros diferentes.

Isso é muito importante para estimular as aptidões do seu filho.

Há mesmo muitas opções de lazer para as crianças nesta faixa de idade.

Como organizar tudo isso?

Há alguma atividade que promova maior desenvolvimento de aptidões para meu filho?

Não existe uma única atividade que seja essencialmente completa para garantir desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas para seu filho.

O mais inteligente está na diversidade de possibilidades de exploração. Isso quer dizer que é importante que seu filho participe e tenha contato com variadas formas de lazer.

A melhor forma de aprender se dá pelo entendimento e execução dos desafios que se interpuserem no caminho. Sejam eles de ordem física ou intelectual.

Vamos ver quais são estes desafios.

– No parque, ao ar livre

Levar seus filhos a um parque é uma atitude importante e absolutamente fantástica sob a perspectiva de possibilidades de atividades.

Juntos, ao ar livre, há muito o que fazer. Corram, brinquem de pega-pega, esconde-esconde, joguem bola, andem de bicicleta, explorem o local de variadas formas e sob vários ângulos.

Se houver brinquedos como balanços, escorregadores, trepa-trepas, ou equivalentes, ensinem e orientem seus filhos a usá-los. Sempre sob sua atenta supervisão, é claro.

Importante também fazer com que as crianças sintam diferentes texturas. Mexam com as mãos na terra, na areia, na grama ou nas diferentes árvores. Façam-nas sentir o mundo em todos seus matizes de cores e consistências.

Imaginem e criem brincadeiras junto com seus filhos. Isso é bom não só para eles. Para vocês também.

IMPORTANTE: JAMAIS deixem de cumprir as regras básicas de segurança. Ao andar de bicicleta, TODOS devem usar o capacete. SEMPRE. Incondicionalmente. Crianças pequenas, inclusive. Mesmo quando estiverem andando nas cadeirinhas apropriadas para seu tamanho.

Brincadeiras ao ar livre requerem também cuidados básicos que valem ser lembrados:

– Protetor solar. Não se esqueçam de passar o protetor solar nos seus filhos, e também em vocês mesmos, reaplicando a cada 2 horas. Importante para evitar queimaduras indesejáveis e problemas de saúde no futuro.

– Hidratação. Durante as brincadeiras, suamos e gastamos energia. Isso dá sede e muitas crianças esquecem de pedir água. Ofereçam sempre. Principalmente nos dias muito quentes e secos. Água sempre é o melhor. Mas sucos naturais ou água de coco são sempre uma boa possibilidade.

– Alimentação. Crianças tem fome quando gastam muita energia. Levem um lanche saudável com frutas, por exemplo. Evitem frituras e guloseimas. Sorvetes de frutas, porém, podem ser uma opção gostosa para as crianças.

– Atenção. Nos locais onde houver balanços, gangorras, escorregadores ou outros brinquedos, fiquem muito atentos. Crianças saem correndo e na maioria das vezes não percebem que estão passando na frente de um balanço em movimento, ou que estão subindo um escorregador alto demais para sua capacidade física, ou estão em um local do trepa-trepa em que o perigo de cair e se machucar é iminente. Imaginem as possibilidades de acidentes e olho vivo nos seus filhos. A cada segundo.

– Filmes, cinema e teatro

Minha filha quer ver o mesmo filme todos os dias. É normal?

Há hoje uma infinidade de filmes para crianças. Os personagens estão estampados em roupas, brinquedos a até nos produtos de alimentação. Princesas e super-heróis passam a fazer parte do imaginário e do cotidiano infantil.

Há muitos filmes importantes para seus filhos verem. Especialmente os que já se consagraram pelo tempo. Exatamente por isso estão aí até hoje e fazem sucesso. Estimulam a imaginação das crianças e, a um tempo, desnudam situações específicas e medos que necessariamente devem fazer parte do universo psicoemocional infantil. Isso é importante, uma vez que a elaboração e a vivência virtual destes medos nos faz crescer.

Reparem, por exemplo, que nenhuma princesa ou herói tem a figura bondosa da mãe ao seu lado ou um pai protetor presente e atuante. Em alguns filmes há, inclusive, a morte do pai ou da mãe. A grande maioria dos personagens são ou ficam órfãos. Todos tem madrastas, que normalmente são as bruxas, empenhadíssimas em fazer o mal como dar maçãs envenenadas ou máquinas de costurar que picam o dedo e levam ao sono eterno, por exemplo, aos personagens principais, que se veem sozinhos e desamparados na busca pela vida.

Todo esse universo com bondades, perversidades, lutas e atos heroicos penetram e atuam no desenvolvimento psicológico das crianças, ajudando-as a enfrentar e elaborar seus próprios medos e desejos, que naturalmente fazem parte de todo ser humano.

Coloque filmes na televisão para seu filho assistir. Procure explicar-lhes a história na primeira vez. Possivelmente vão querer ver de novo. E de novo. Essa repetição é normal.

Aprendemos e crescemos emocionalmente com todas as formas de expressão artística. Filmes são uma delas.

Qual é a melhor época para levar meu filho ao cinema ou ao teatro?

Ao redor de 3 anos as crianças já conseguem acompanhar as histórias no cinema e no teatro. Familiariza-las, desde cedo, com estas formas de expressão artística é muito importante.

Não estranhe se não aguentarem até o final e quiserem sair no meio. Isso é totalmente normal. Respeitem e não insistam para não tornar esta atividade estigmatizada como maçante e obrigatória.

É natural que crianças menores tenham medo de ir ao cinema por conta do ambiente mais escuro. Deem o tempo necessário. Aos poucos entendem e vão gostar. Não se esqueçam que a pipoca faz parte do espetáculo!

– Música

Dificilmente alguém consegue viver sem ouvir música. É uma atividade extremamente prazerosa e ao alcance fácil de todos.

Ouça música com seus filhos sempre que puder. Cantem juntos. Se você toca algum instrumento, estimule-o a brincar e ouvir os sons emitidos.

Há vários tipos de música. Tudo vale.

– Brinquedos

Há uma quantidade e variedade incontáveis de brinquedos para as crianças de todas as idades.

Carros que andam sozinhos, robôs que voam, alienígenas que falam inglês, bonecas que mamam e fazem xixi, enfim…a imaginação humana parece infinita e ilimitada quando entramos em uma coloridíssima loja de brinquedos.

Até as crianças ficam atordoadas sem saber o que querem. As opções são muitas!

Procure presentear seus filhos quando há uma causa específica para tal. Aniversário ou Natal, por exemplo. Evitem presentes desnecessários e sem razão. Isso tira o sabor do presente. Exatamente. Atos que se tornam rotina ficam normalmente sem emoção e sem gosto.

Não tire o sabor da vida de seus filhos. Por isso só lhes deem presentes quando algum motivo houver para tal.

Nesta situação, o brinquedo ideal pode até ser aquele que é o objeto de desejo do seu filho. Desde que economicamente viável, claro!

Porém, sob a ótica do desenvolvimento, os melhores brinquedos são aqueles que possibilitam às crianças desenvolver a imaginação. Brincar com 5 dinossauros, por exemplo, imaginando-os numa floresta cheia de perigos pode ser mais interessante do que apertar os botões de um robô que anda sozinho e se move para todos os lados, executando sozinho muitos movimentos e emitindo sons eletrônicos característicos.

Mais importante que o brinquedo em si, é o que a imaginação do seu filho fará com ele.

Brincar com o pensamento mágico e livre é o alicerce para uma vida futura em que a resolução de muitos problemas e situações difíceis requerem o pensamento solto e imaginativo.

Ter tempo para brincar livremente é fundamental para seus filhos.

IMPORTANTE: depois de brincar, é hora de guardar os brinquedos. Tome isso como um ato de rotina e ensine seus filhos desde sempre a organizarem-se nos seus quartos e/ou espaços de brincar. Quando eles se tornarem adolescentes você vai se agradecer por ter tomado esta atitude desde sempre.

– Desenho

Desenhar é uma importante forma de se expressar. Crianças gostam muito de desenhar ou de pintar.

Estimule esse hábito.

Deixe-as rabiscar livremente, esboçando desenhos e utilizando cores para pintá-los. Pode ser com lápis de cor ou com o uso de tintas. Neste último caso, certifique-se de que as tintas são laváveis e apropriadas para crianças pequenas que, não raro, as colocam na boca.

Desenhar é, sem dúvida, uma excelente forma de aguçar a imaginação e a coordenação motora.

Basta um lápis, papel e…mãos à obra!

– Ir na casa de amigos

Todos temos amigos. Gostamos deles e queremos passar boa parte do nosso tempo ao seu lado.

Crianças nesta idade também. Descobrem como é gostoso ter amiguinhos   com quem dividem brincadeiras e brigas. Com frequência querem ir brincar na casa deles.

Alguns pais ficam aflitos, ou angustiados e inseguros, pois este é um dos primeiros sinais de “independência” do filho. Totalmente natural que se sintam assim. Até porque é mesmo um sinal de que ele já está preparado para passar um tempo longe dos pais, avós, tios ou cuidadores!

Importante deixar, desde que, claro, a criança manifeste claramente o desejo espontâneo de ir e que os pais do coleguinha estejam de acordo, presentes e convidando.

Fiquem, porém, a postos. É muito comum pedir para que vocês o levem de volta para casa, assim que o efeito da novidade passou. Tudo certo.

Quando posso deixar meu filho dormir fora, na casa do amiguinho?

Normalmente as crianças pequenas sentem-se mais seguras dormindo na própria casa, seguindo a tradicional rotina antes de irem para cama. É muito comum acordarem no meio da noite, chorando ou pedindo a presença de um dos pais.

Por isso, é recomendável que as crianças comecem a dormir fora de casa quando já tem tranquilidade e segurança para tal, o que normalmente acontece só depois dos 5 anos.

– Festas Infantis

Quase todo mês chega um convite para uma festinha infantil. Cada uma de um jeito. Umas com brincadeiras, outras com personagens. Mas todas com o tradicional “parabéns”, que é o ponto alto. Depois, bolo e doces.

Quem não gosta?

Pois é. Algumas crianças pequenas não gostam de festas. Ficam grudadas nos pais, tem receio de brincar, de ficar com crianças que não conhecem direito.

Pais incrédulos, muitas vezes envergonhados e aflitos não entendem porque seu filho  não gosta, não curte , ou tem medo do palhaço que fala alto, por exemplo.

Não se preocupem. Isso é muito comum. Observem como em quase todas as festas tem uma criança mais retraída, pouco à vontade, que fica próxima dos pais ou de quem conhece.

Não é necessariamente um problema. Pode ser tão somente uma questão de temperamento mais retrospectivo. Algumas crianças demoram mais para se relacionar com desconhecidos. Por isso, não insista nem exponha seu filho à sua timidez. Ao contrário, vá com calma e o introduza, paulatinamente, ao novo ambiente, participando inicialmente de algumas atividades com ele.

Com o passar das festinhas e do convívio com outras brincadeiras e crianças na escola as crianças vão se soltando. Aos poucos. Dê-lhes tempo.

No entanto, se vocês, pais, perceberem que seu filho demonstra um certo grau de ansiedade e até de sofrimento quando tem que ir a algum ambiente diferente como as festinhas, por exemplo, converse com a professora da escola para ter uma visão mais abrangente sobre seu comportamento social e, se julgarem necessário, um psicólogo pode ajudar a entender melhor as causas que impedem  seu filho de se  relacionar mais abertamente com outras crianças.

Lembrem-se que o limite entre o que pode ser perfeitamente normal, por razões de temperamento, ou que pode significar algum problema a ser trabalhado é o grau de angústia e de desconforto emocional envolvidos na situação.

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.