25/11/2018 20:11h

Há diferença entre ter AIDS e ser portador do vírus HIV?

Há, sim, muita diferença. Para entendermos bem a importância desta diferença, vamos ver como uma pessoa se contamina e o que acontece depois.

As formas de contagio do HIV são bem conhecidas: fazer sexo sem proteção, exposição a sangue ou hemoderivados contaminados, como, por exemplo, uso de seringas ou agulhas infectadas ou transfusão com sangue contaminado, o que é muito raro com os cuidados de hoje em dia. Há também a transmissão de mãe para filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. Importante saber que saliva, lágrima, suor, escarro ou vômito de pessoas infectadas NÃO transmitem o HIV.

Quando o vírus penetra no organismo pode causar, após 2 a 4 semanas, uma infecção que pode se confundir com uma gripe. Dor no corpo, aumento de gânglios, febre, mal estar, dor de garganta, náuseas e às vezes bolinhas vermelhas espalhadas. Depois de 10 ou 14 dias estes sintomas desaparecem e a pessoa volta a se sentir bem.

A seguir ocorre uma fase que é chamada de latência. O HIV fica quieto no organismo, sem causar nenhum sintoma. Esta fase pode durar de 3 a 20 anos! A média em geral é de 8 anos. Neste período, a pessoa infectada sente-se bem, sem nenhum sintoma aparente. Se fizer o teste sorológico, no entanto, vem positivo. Esta pessoa classifica-se, portanto, como sendo HIV positivo e sem AIDS, pois não tem nenhum sintoma da doença.

Após este período de latência, ocorre a AIDS propriamente dita, que significa, em inglês, Síndrome da Imunodeficiência Aguda Adquirida. Neste momento, os sintomas clínicos específicos aparecem e os exames laboratoriais demonstram que a contagem de um tipo de células de defesa – chamada linfócito T CD4 – está abaixo de 200. Isso significa que o HIV está “atacando” o sistema imunológico e que, portanto, a doença começou a se manifestar.

Por isso o portador do vírus HIV pode não ter a doença AIDS. Esta é a diferença e é justamente neste período que o tratamento está indicado. Quanto antes começar, melhor. O tratamento correto, feito com o que chamamos de “coquetel” prolonga e dá mais qualidade de vida ao portador do vírus.

O vírus NÃO passa pelo abraço, beijo, carinho, aperto de mão, uso de toalhas, sabonete ou lençóis. Nem pela lágrima. Proteja-se também do preconceito.

Dra Ana Escobar

Dra Ana Escobar

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria. Atualmente, é coordenadora da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social desse mesmo departamento. Ainda na área educacional, é responsável pelas disciplinas de graduação e pós graduação sensu lato e sensu stricto da Faculdade de Medicina da USP.
Dra Ana Escobar