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Aprendendo a falar

Os bebês não nascem falando, mas desde os primeiros dias de vida os pais e cuidadores aprendem o significado do choro. O choro é, portanto, a primeira forma de comunicação dos bebês. Nesse momento eles já estão aprendendo a falar:

O aprendizado da linguagem é muito complexo mas o principal estímulo é a conversa. Exatamente! É preciso ouvir para poder falar! Desde os primeiros dias é importante que os adultos conversem com o bebê.

O tom de voz deve ser normal e calmo, não é preciso fazer uma voz infantilizada. Ao contrário, o bebê precisa aprender com você a forma certa de falar.

Aos dois meses os bebês já irão corresponder, usando vogais como “U” e “A”, aos três meses fazem sílabas como “gugu” “dadá”.

Aos quatro meses reagem ao som da voz e prestam muita atenção quando alguém fala com eles.

Entre cinco e seis meses tentam imitar sons e já compreendem quando alguém usa um tom de voz mais suave ou mais severo.

Aos sete meses os bebês parecem que cantam, é a chamada “lalação”. Compreendem o gesto de “não”.

A partir dos oito meses e até os onze, se alguém perguntar “cadê a mamãe” o bebê a procura com os olhos, indicando que compreende a frase. Também reage ao ser chamado pelo nome. Apenas um mês depois, com um ano de idade entendem tudo ao redor e se fazem compreender com gestos e também com sons que já são associados aos objetos. Como “mã-mã” para mamãe, “áua” para água… “papá” para comida e outras…

Até os dois anos as crianças são perfeitamente capazes de expressar o que querem e também o que não querem. Com dois anos e meio já conversam com as pessoas e apresentam um vocabulário que os habilita a argumentar, pedir, brigar e elaborar com palavras sentimentos e vontades.

Aprender a falar é um processo complexo e que não é exatamente igual para todas as crianças, variando inclusive entre irmãos. É preciso que a família compreenda e respeite o tempo e as habilidades de cada indivíduo.

No entanto, se até os nove meses o bebê não reage a sons, nem tenta imitar o que escuta é preciso procurar ajuda. Há várias hipóteses, inclusive algum problema auditivo. O pediatra saberá orientar que profissional procurar. O importante é não achar normal. Quanto antes se descobre o problema maior a chance de tratamento e recuperação.

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.