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Estou grávida e com a pressão alta: eu só preciso tomar remédio para pressão alta se eu estiver me sentindo mal?

Todas as pessoas (grávidas e não-grávidas) depois de correr, tomar café ou subir um lance de escadas podem ter um pico de pressão alta. Isso é normal. Não quer dizer que você é hipertenso. Para se dizer que alguém tem pressão alta, é preciso realizar a medida após 5 minutos de repouso. E repeti-la em alguns minutos.

A pressão alta na gravidez, conhecida como pré-eclâmpsia, quando acompanhada de edema (inchaço) de mãos e face, é uma alteração que precisa ser prontamente tratada! Isso mesmo. Diferentemente da pressão alta em não-grávidas, a pressão alta nas grávidas pode levar a complicações para mãe e para o bebê se não for cuidada rapidamente.

O que engana muita gente é que, como ela é assintomática (a pessoa não sente nada) não faz o tratamento! Atenção: quando pressão alta dá sintomas (dor de cabeça, peso na nuca, visão de pontos pretos, dor na boca do estômago) pode ser tarde demais! Por isso, muita atenção e meça sempre sua pressão nas consultas médicas.

Quando o problema é prontamente tratado, tudo dá certo!

O que fazer: se você está com pressão alta, deve imediatamente relaxar (diminuir a carga de trabalho, descansar no meio do dia, ou entrar de licença por uns 10 dias antes  se as soluções intermediárias não forem possíveis) fazer uma dieta com pouco sal (hipossódica) pode ajudar também. Entenda: não se brinca com pressão alta na gravidez!

Outro ponto fundamental é fazer os exames de sangue e urina que vão mostrar se o caso é grave ou não. E uma ultrassonografia com Doppler para saber se ela está atrapalhando a vitalidade do bebê.

Dependendo do nível pressórico, além das medidas anteriores, deve-se usar medicamentos para controlar a pressão. Mas só seu médico é que pode indicar. Ele deve também avaliar a gravidade do caso e definir se há necessidade de manter o repouso em casa, se há necessidade de internação, e indicar o melhor momento para o parto. Em casos leves, com consultas e exames frequentes, o parto pode ser na data provável. Em casos nem tão leves assim, pode haver necessidade de antecipação.  Uma coisa é certa: uma paciente com pré-eclâmpsia deve ser avaliada por médico ou enfermeira a cada 15 dias, no mínimo. Nesses casos é preciso manter a segurança. Pré-eclâmpsia não-tratada pode virar eclampsia, uma complicação muito grave para a mãe e bebê.

Pressão alta na gravidez é coisa muito séria. CUIDE-SE!

Publicado por Dra Adriana Grandesso Pompeo de Camargo.
Doutora Adriana Grandesso Pompeo de Camargo (CRM 115.771-SP) é médica graduada pela Unicamp. Obteve Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, em 2007, pela Unicamp.