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Volta às aulas presenciais em 2021: agora dá?

SIM: é possível voltarmos às aulas presenciais em 2021, desde que, claro, sejam mantidas as medidas de proteção.

Para começar, vale a pergunta que não quer calar: por quais razões as escolas ficaram fechadas em 2020 e agora, neste início de 2021, com um aumento incontrolado e substancial do número de casos e de óbitos; com estados voltando a fases mais drásticas de restrição; com escolas fechando na Europa e com poucas vacinas para toda a população afirmamos que as crianças podem voltar às aulas?

Vamos entender, por passos:

  1. Em 2020 não tínhamos ideia de como o vírus poderia acometer crianças. Agora já sabemos que em crianças as formas de apresentação leve e assintomática são as predominantes e que a forma mais grave (Síndrome Inflamatória Multissistêmica)  acomete em torno de 0,6% das crianças e, quando diagnosticada a tempo, tem um tratamento específico.
  2. Crianças não são mais transmissores que adultos.
  3. Sabemos, com a comprovação de inúmeros estudos científicos, que as medidas de proteção adequadas: uso de máscaras, higiene das mãos, distanciamento de 2 metros e ventilação dos ambientes são eficazes no sentido de conter a propagação dos vírus. Levar uma criança ao supermercado, por exemplo, pode significar uma exposição maior tanto para a criança como para os pais e funcionários, pois o distanciamento social não é garantido.
  4. A abertura de escolas não contribuiu em nada para o aumento do número de casos em nenhum lugar do mundo. Ao contrário, aglomerações sem proteção em praias, festas e bares são- estas sim- determinantes do aumento substancial nos casos e óbitos.
  5. As escolas são essenciais para o aprendizado cognitivo e para o desenvolvimento infantil. Já é difícil arcar com o prejuízo de um ano inteiro sem aulas. Vale para todas as crianças, mas principalmente para as crianças socialmente mais vulneráveis, que não têm condições de aprendizado online e, sem as escolas, estão mais expostas a riscos sociais. Esticar este período pode ser destrutivo para a formação de todas as nossas crianças.
  6. As escolas privadas e públicas prepararam-se para receber as crianças com protocolos de segurança. Estes protocolos exigem o equipamento de proteção necessário para professores e funcionários, a higienização da escola, o uso de máscaras para crianças acima de 2 anos, a garantia de distanciamento social (por isso a frequência máxima permitida de 30% por sala), ventilação de ambientes e material para higienizar as mãos.
  7. Estas medidas são protetoras também para professores e funcionários que não estariam mais expostos do que outros trabalhadores de diversas outras áreas, como comércio ou alimentação.
  8. Em conclusão, neste início de 2021 temos embasamento científico suficiente para garantir a volta às aulas presenciais, restritas a  um novo contexto, sabendo que até que todos estejamos protegidos  pela vacina e o vírus de fato deixar de ser um problema mundial, haverá muitos “abre e fecha” de comércio, de escolas e, portanto, da rotina de todos.

Estas medidas de proteção garantem segurança para as crianças?

Não há 100% de segurança, sob nenhuma hipótese, em um ambiente mundial pandêmico onde um vírus ainda circula livremente. Mas é o máximo que podemos oferecer neste momento sem causar um dano maior, que é comprometer o desenvolvimento de nossas crianças.

Em fases mais restritivas, como a vermelha em São Paulo, ou “lockdown” em alguns países, devemos manter as crianças nas escolas?

Fase vermelha ou “lockdown” significa comércio todo fechado, apenas atividades essenciais liberadas, e todos em casa. Nesta situação as escolas devem também fechar. Isso é o que foi determinado em vários países europeus recentemente ante o aumento no número de casos.

É muito importante que todos reconheçam que este “vai e vem” ou “abre e fecha” é essencial e necessário quando lidamos com um vírus como este.

Estas medidas de segurança valem também para as “mutações” do vírus?

SIM. Valem para todos os vírus.

Quando as crianças receberão a vacina?

Ainda não há previsão aqui no Brasil. Em Israel, em janeiro de 2021, adolescentes de 16-18 anos já estão sendo vacinados. Tudo indica que todas as vacinas disponíveis para o novo Coronavírus poderão ser utilizadas também por crianças que são, na verdade, o grande público alvo de todas as outras vacinas. Não há razão teórica para que esta vacina não seja também indicada para as crianças. Aguardamos os estudos e a liberação. No entanto, como as crianças apresentam quadros leves ou assintomáticos, devem estar no final da fila de prioridades.

A volta às aulas presenciais na pandemia é um assunto complexo que envolve, como não poderia deixar de ser, a razão e as emoções de pais que, naturalmente, querem sempre o melhor e o mais seguro para seus filhos, protegendo e não os expondo a riscos, sob nenhuma hipótese.

Por isso, a informação em saúde e o diálogo claro, objetivo com o intuito de esclarecer e ajudar é sempre um bom caminho. Coloque sua dúvida e vamos conversando, sempre, com clareza e ciência.

 

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar (CRM 48084 | RQE 88268) é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.

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