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Há riscos ao se exercitar ao ar livre em tempos de COVID 19?

Os parques, praias e academias estão fechados. Quem gosta de praticar atividade física sente necessidade de gastar energia. Dentro de casa é possível, mas não parece ser suficiente.

Depois de uns dias então…vai ficando cada vez mais difícil olhar aquele dia lindo, céu azul, Sol brilhando e não colocar um tênis e sair para tomar ar, correr, caminhar ou andar de bicicleta.

“Será que não dá para correr um pouquinho, mantendo o distanciamento social?”

“Ando de bicicleta longe das pessoas. Não deve ter problema, não é mesmo?”

“Posso levar meu filho para dar uma voltinha na praça?”

Estas e outras perguntas semelhantes pipocam na cabeça das pessoas. Alguns optam por ficar em casa. Outros saem para se exercitar de máscara. E há os que saem sem máscara, considerando que não apresentam nenhum sintoma de gripe e manterão distância de pelo menos 1 metro das pessoas; por isso, concluem que tudo bem.

Quem está certo? Há risco em sair de casa para caminhar, correr ou pedalar?

Vamos entender alguns pontos importantes para refletir.

  1. Quando praticamos atividade física, nosso metabolismo fica naturalmente acelerado. O coração bate mais forte e mais rápido.
  2. A respiração também fica mais acelerada e intensa. Isso significa que a quantidade de ar que colocamos para dentro e para fora dos nossos pulmões é muito maior. Certo? Portanto, a quantidade de gotículas que expelimos durante o exercício é muito maior também.
  3. As pessoas podem estar com o novo Coronavírus, sem saber que estão. São os conhecidos como portadores assintomáticos, que vão desenvolver a doença em uns 2 a 3 dias ou que eventualmente nunca apresentarão sintomas. Porém, durante um período de mais ou menos 14 dias são transmissoras ativas do vírus, sem saber disso.

Agora vamos juntar estas informações. Uma pessoa portadora assintomática do vírus pode estar se exercitando ao seu lado e expelindo vigorosamente, com sua respiração acelerada, milhares de gotículas de saliva – com ou sem tosse- com milhares de partículas virais. Dá para imaginar o que pode acontecer, não é mesmo?

Imagine que você está andando de bicicleta numa ciclo faixa, 6 metros atrás de uma pessoa que está contaminada – sem saber-  e  esta pessoa tosse. As gotículas cheias de vírus estão no ar. Como você está pedalando atrás, em poucos segundos você atinge a “nuvem” deixada pela pessoa contaminada da frente, que você nem conhece. Seu ritmo respiratório já está acelerado. Quando você entra na “nuvem”, sem saber de nada, na total inocência, você dá aquela inspirada profunda levando de carona, para dentro dos seus pulmões, milhares e milhares de vírus. Simples assim.

SIM: exercitar-se ao ar livre pode aumentar a chance de contágio do vírus.

Há algo a fazer?

SIM. Para ajudar a resolver a questão, um recente estudo realizado na Bélgica nos mostrou que a prática de exercícios físicos ao ar livre, em tempos de pandemia, requer outros tipos de cuidados de distanciamento.

Os pesquisadores estudaram a extensão da “nuvem” de gotículas que eliminamos durante o exercício, o tempo em que ficam em suspensão e com isso estimaram a distância que deve haver entre as pessoas para diminuir a chance de contágio.

Importante salientar que isto vale para a distância para quem está na sua frente e atrás de você e, claro, pode variar de acordo com os ventos locais.

Conclusão do estudo:

– Caminhadas: manter distância de 4 metros das pessoas à sua frente e atrás de você.

– Corridas: manter distância de 10 metros das pessoas à sua frente e atrás de você.

– Bicicleta: manter distância de 20 metros das pessoas à sua frente e atrás de você.

E as máscaras? Ajudam?

SIM. As máscaras ajudam muito. Mas muitas pessoas não conseguem se exercitar de máscara. Não dá para confiar que todos ao ar livre a estarão usando, e mais que isso: as máscaras se molham muito rapidamente com o exercício, respiração acelerada e com o suor, tornando-se inúteis na proteção.

Pense bem. Não só em você e no seu bem-estar. Estamos todos juntos nesta batalha.

Fique em casa.

 

 

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.