16/12/2015 09:09h

Depois de já nascido, um bebê pode desenvolver a microcefalia?

Não! A microcefalia só acontece durante a  gestação, geralmente no primeiro trimestre. Se o bebê nasceu com o tamanho da cabecinha maior do que 32 cm, não há risco de desenvolver microcefalia.

Vamos entender. O mosquito Aedes contaminado com o Zika vírus pica uma futura mamãe, gestante no início. Muitas vezes a infecção passa desapercebida, pois os sintomas são leves e parecem uma alergia, com manchinhas vermelhas pelo corpo, que coçam e passam em alguns dias.

Só que o vírus entrou no sangue da gestante e passa pela placenta, atingindo o bebê que está em formação. O Zika tem uma atração pelo sistema nervoso central. Por isso, vai até o pequeno cérebro em formação e faz uma lesão. Esta lesão não deixa o cérebro crescer adequadamente. Resultado: os bebês nascem com a cabeça menor que 32 cm, isto é, com microcefalia.

Bebês que nasceram sem a microcefalia não a desenvolvem mais. Isto porque  o cérebro só se forma dentro do útero. Os bebês já nascem com todos seus neurônios, que são as células cerebrais, formados. Depois de nascido, não há mais risco.

Portanto, É MITO.

E quem quer engravidar? Melhor esperar?

Esta é uma questão delicada. Especialistas afirmam que estamos em fase de conhecer e estudar  o Zika vírus. Por isso, colocam que quem não tem pressa para engravidar agora, deve esperar um pouco.

No entanto, sabemos que esta é uma decisão individual, que o casal deve  pensar, discutir, refletir, conversar com os médicos,   avaliar  e tomar a melhor decisão. Com bastante informação, cada casal pode decidir o que for melhor para cada um.

 

Dra Ana Escobar

Dra Ana Escobar

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria. Atualmente, é coordenadora da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social desse mesmo departamento. Ainda na área educacional, é responsável pelas disciplinas de graduação e pós graduação sensu lato e sensu stricto da Faculdade de Medicina da USP.
Dra Ana Escobar