02/04/2019 09:49h

Posso dar um “tapinha” no meu filho para educá-lo?

Crianças abusam do bom senso. Desafiam os pais nas tarefas mais banais. Mexem onde não devem, andam por onde é proibido, falam de forma grosseira com algumas pessoas, e se recusam a executar atividades cotidianas como, por exemplo, escovar os dentes, comer ou tomar banho.

Pais ensinam uma, duas, três ou dez vezes a mesma coisa. E os pequenos os encaram, por vezes os enfrentam, olho no olho, e ostensivamente optam pelo que já foi dito mais de 500 vezes que não podia. O proibido parece que os atrai. Não pode pegar o vaso que enfeita a mesa? É para lá que eles se dirigem. Pegam e, não raro, quebram. Pais exauridos se desesperam.

Com frequência, quando sentem que TODAS as formas de argumentação se esgotaram, não se controlam e sapecam um tapinha na mão da criança. Será que pode fazer isso? Esta pergunta é importante pois, consequência imediata, após o alívio de segundos propiciado pelo “tapinha”, quem bateu é acometido por um remorso e/ou uma culpa indescritíveis.

Pais aflitos devem tentar segurar seus impulsos primitivos e não bater. A criança pode tomar esse “tapinha” como um exemplo a ser seguido. Que moral os pais teriam se o filho mais velho desse um “tapinha” no bebê pequeno que chorava sem parar?

O melhor é não bater. Jamais. Há outros métodos eficazes que podem ser utilizados. Um deles é falar com energia, solidez, segurança e objetividade. Um “NÃO PODE” enérgico, olho no olho, pode ter mais força e efeito que um “tapinha”.

Lembrem-se sempre de que a melhor forma de ensinar é dar o exemplo.

Dra Ana Escobar

Dra Ana Escobar

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria. Atualmente, é coordenadora da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social desse mesmo departamento. Ainda na área educacional, é responsável pelas disciplinas de graduação e pós graduação sensu lato e sensu stricto da Faculdade de Medicina da USP.
Dra Ana Escobar