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O que é o teste do pezinho?

Nos dias de hoje o pré-natal é importantíssimo. Não só porque os exames de imagem nos permitem “enxergar” o rostinho do bebê, mas principalmente porque podem evidenciar algumas alterações no bebê ou na mãe. Estas alterações quando detectadas a tempo, podem evitar futuras sequelas. Mas alguns tipos de doenças só são diagnosticadas quando o bebê nasce, depois que examinamos o próprio sangue do recém-nascido.

Por isso é feito o teste do pezinho. Algumas gotinhas de sangue tiradas do pé do bebê podem indicar a presença de algumas doenças. E diagnosticar antes que apareçam os sintomas, evita que a doença evolua. Também aumentam as chances de um tratamento mais eficaz.

E por que o pé? Bem, o pé do bebê é uma região cheia de vasos sanguíneos. Já notou como os pezinhos dos recém nascidos são muito mais vermelhinhos que os das crianças maiores e dos adultos? Pois então. Uma picadinha com uma agulha fina provoca rapidamente a saída de sangue suficiente para análise. Os bebês choram, mas pais e mães devem imaginar que é um chorinho que passa e que esta é uma oportunidade única que pode mudar o futuro do bebê. O exame geralmente é colhido na própria maternidade, depois de 48 horas de vida.

Há várias doenças que podem ser identificadas com o teste do pezinho. Duas importantes são: o hipotireoidismo congênito e a fenilcetonúria. O hipotireoidismo congênito ocorre pela deficiência na produção hormônios da tireoide, que são fundamentais para o desenvolvimento geral e principalmente do sistema nervoso. O diagnóstico e tratamento rápido evita, por exemplo, o atraso mental. A fenilcetonúria é uma doença genética. Falta uma enzima que ajuda a digerir a carne, os ovos e o leite, por exemplo. O problema é que nesta doença, a “má digestão” destes alimentos pode fazer acumular uma substância que lesa gravemente o sistema neurológico. Por isso, quanto antes o diagnóstico e a orientação terapêutica, menor a lesão e menos sequelas.

Uma picadinha no pezinho, um chorinho que passa e um diagnóstico que pode determinar uma vida. Vale a pena, não é mesmo?

Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.