15/03/2019 10:34h

Meningite: sintomas, sinais de alerta e prevenção

Meningite é uma doença potencialmente grave e fatal. A meningite pode ter causa viral ou bacteriana, que é a mais perigosa pois pode evoluir muito rapidamente. Por isso é importante saber os sintomas iniciais, os sinais de alerta e quando dar as vacinas.

IMPORTANTE: as meningites podem ser causadas por vários microrganismos, sendo os mais frequentes os vírus e as bactérias. A meningite viral em geral é benigna, evolui sem sequelas não necessita de isolamento, profilaxia e nem de tratamento específico.  A meningite de causa bacteriana, por outro lado, é uma doença potencialmente grave, que pode causar a morte de crianças previamente saudáveis em questão de algumas horas. Por isso, é importante saber quais são os principais sintomas, sinais de alerta e como fazer para prevenir.

O que é a meningite?

O Sistema Nervoso Central (SNC) é composto pelo encéfalo – onde está o cérebro e outros órgãos- e a medula espinhal. Estes órgãos – que comandam todo nosso organismo- precisam estar bem protegidos. Quem faz isso? As meninges, que são um conjunto de 3 membranas que o envolvem todo, como se fosse um precioso “embrulho”. Além disso, temos o líquor, que é popularmente conhecido como “líquido da espinha” que também banha todo o SNC e tem várias funções, especialmente as de defesa e proteção.

A meningite é resultante de uma infecção causada mais comumente por bactérias ou por vírus que conseguiram “vencer” a barreira de defesa e promoveram uma infecção. Esta infecção gera uma inflamação e todos os sintomas aparecem.

Quais são os primeiros sintomas de meningite?

Os sintomas iniciais assemelham-se aos de uma gripe forte: febre – que não é necessariamente alta-  dor no corpo, mal-estar, enjoo, vômitos e dor de cabeça.

Geralmente os pais medicam seus filhos com antitérmicos. O que acontece na meningite é que mesmo quando febre baixa as crianças ficam extremamente indispostas e a dor de cabeça vai se acentuando.

Os vômitos são em jato, isto é, vêm com bastante força, do estômago para fora.

As crianças podem ficar sonolentas e/ou irritadas. Muitas vezes não conseguem encostar o queixo no tórax, que é um sinal conhecido como rigidez de nuca.

Dá para diferenciar os sintomas iniciais da meningite viral ou bacteriana?

Normalmente não dá. Os sintomas acima descritos acontecem nos dois tipos de meningite. No entanto, há um sinal de alerta muito importante que só acontece nas meningites bacterianas: manchinhas arroxeadas pelo corpo, grandes ou pequenas, principalmente nas pernas.

Algumas crianças podem apresentar uma crise convulsiva.

Quando levar a criança para o PS?

A meningite  é uma doença potencialmente grave, pois a de causa bacteriana pode evoluir muito rapidamente, mesmo em crianças saudáveis. Por isso, quando alguém apresentar febre com dor de cabeça, vômitos e muita indisposição depois que a febre baixou totalmente, vale sempre ir ao PS para uma avaliação. Se junto com estes sintomas surgirem bolinhas arroxeadas então vá com urgência ao PS para avaliação médica. Neste momento não perca tempo. É uma urgência e cada segundo vale ouro.

IMPORTANTE: os sintomas clínicos iniciais da meningite viral ou bacteriana são muito semelhantes. Por isso é importante estar atento pois só o exame do líquor (líquido da espinha) é pode identificar se a causa da meningite é um vírus ou uma bactéria.

Como se faz o diagnóstico de meningite?

O exame clínico do médico pode sugerir o diagnóstico e para confirmar estão indicados alguns exames complementares, dentre os quais está a punção do líquor. Em alguns casos, pelo aspecto do visível do líquor o médico pode supor que a meningite seja bacteriana. É o exame bioquímico e a cultura que definem com precisão se é meningite viral ou bacteriana.

A meningite viral sara sozinha. E a bacteriana, tem tratamento?

Sim. O tratamento consiste de antibióticos endovenosos e de outros medicamentos para manter as funções vitais que podem estar em risco. Na maioria das vezes a internação em UTI é necessária.

A meningite viral em geral evolui bem, sem deixar sequelas. O tratamento é só para aliviar os sintomas.

Quais são as bactérias que dão meningite em crianças?

As meningites bacterianas são mais frequentemente causadas por 3 bactérias: a Neisseria meningitidis, que é popularmente conhecida como meningococo, o Streptococos pneumoniae, conhecido como pneumococo e o Hemophilus influenzae.

Tem vacinas para estas bactérias?

SIM! E estas vacinas são bastante eficazes. Mas, como todas as vacinas, não garantem 100% de proteção. Chegam perto disso. Por isso é importante fazer.

Pneumococo – Existem alguns “tipos”ou sorogrupos de pneimococos que são mais frequentes em crianças e que podem causar doenças graves como a meningite. Existe a vacina contra o pneumococo, que é normalmente dada em bebês com

Meningococo – O meningococo tem 12 “tipos” diferentes, conhecidos como sorogrupos que são definidos por letras. Destes, 6 se destacam: A,B,C,W135,X e Y.

Para nos proteger contra todos estes sorogrupos, existem hoje 3 vacinas: a que protege contra o meningococo C,  contra o meningococo B e outra que nos protege dos ACWY.

Nos últimos anos, o meningococo C foi o mais frequente no Brasil. Assim, com base nestes dados, esta vacina está contida no  Programa Nacional de Imunização e é gratuitamente distribuída para todas as crianças. A primeira dose deve ser dada aos 3 meses de idade, a segunda aos 5 meses e uma dose de reforço depois de 1 ano de idade. Pode ser dada mais uma dose aos 4 anos. Aos 12-13 anos está indicado outro reforço.

As vacinas ACWY e contra o meningococo B estão disponíveis em clínicas de imunização. A vacina ACWY segue o calendário da vacina contra o meningococo C e a vacina contra o meningococo B deve ser dada em 3 doses ao longo do primeiro ano de vida, com intervalo de 2 meses entre as mesmas. Depois de 1 ano, deve-se fazer uma dose de reforço. Quem não fez as doses antes de 1 ano pode fazer 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas.

Há outras medidas de prevenção?

  1. Arejar o ambiente. A meningite bacteriana é transmitida pelo ar, quando uma pessoa susceptível tem contato com quem está contaminado. O grande problema é que muitas vezes quem está contaminado está com febre, sem saber ainda que está com meningite. Por isso, é importante que os ambientes públicos, especialmente quando aglomerados ou com muitas pessoas esteja sempre bem ventilado.
  2. Lavar as mãos é sempre importante pois ajuda a evitar as doenças respiratórias.
  3. PROFILAXIA dos contactantes. Isso é muito importante. As pessoas – crianças ou adultos- que tiveram contato próximo com quem está com meningite bacteriana pode receber antibióticos preventivos. Claro que a prescrição dos mesmos deve sempre partir do médico, pois para cada tipo de meningite pode ter uma orientação diferente. Normalmente a profilaxia é orientada e atualizada pelas autoridades públicas de saúde.

Uma criança da classe do meu filho está internada com meningite. O que eu devo fazer? Posso manda-lo para a escola?

A primeira questão que deve ser respondida é se a meningite é de causa viral ou bacteriana.

Se a meningite for de causa viral, não há nenhum problema e as crianças podem seguir frequentando a escola.

Se a meningite for bacteriana, pode ser que o médico que acompanha a criança doente indique algum tipo de profilaxia. Esta orientação tem como base as determinações das autoridades de saúde pública, posto que a meningite bacteriana deve sempre ser notificada.

Neste sentido, os pais devem receber a orientação adequada para cada caso e junto com o médico decidem se a criança deve ou não ir para escola.

Mito ou Verdade: adolescentes devem receber a vacina da meningite?

Adolescentes vivem em grupos de amigos. Encontram-se nas escolas, nas festas, nos esportes que praticam ou nos pontos em que costumam ficar juntos conversando. Esta vivência em aglomerados humanos faz com que alguns agentes infecciosos também se “socializem” e se espalhem com maior facilidade. Isso faz dos adolescentes potenciais carreadores dos microrganismos que podem causar meningite. Destaca-se, dentre eles, o meningococo. Importante saber que um adolescente pode ser carreador do meningococo, não desenvolver a doença e transmiti-lo para um outro adolescente susceptível. Por isso os adolescentes DEVEM, SIM, receber as vacinas contra a  meningite meningocócica.

Dra Ana Escobar

Dra Ana Escobar

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria. Atualmente, é coordenadora da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social desse mesmo departamento. Ainda na área educacional, é responsável pelas disciplinas de graduação e pós graduação sensu lato e sensu stricto da Faculdade de Medicina da USP.
Dra Ana Escobar