21/05/2019 12:16h

Doenças Respiratórias na Infância: asma, bronquite, bronquiolite e pneumonia

Dúvidas sobre os problemas respiratórios mais comuns na infância? A Dra. Ana Escobar explica as diferenças entre eles e o melhor momento para procurar um médico

Asma, bronquite e bronquiolite são doenças respiratórias na infância que podem confundir os pais e cuidadores. Todas dão chiado no peito, respiração cansada e dificuldade para soltar o ar dos pulmões. E tem também a pneumonia, que pode não dar chiado, mas dá cansaço para respirar e precisa ser diagnosticada e tratada corretamente.

Como diferenciar tudo isso e cuidar bem dos seus filhos? Vamos entender.

Imagine as vias respiratórias como uma árvore. Os troncos maiores seriam os brônquios. Os galhos menores seriam o equivalente aos bronquíolos. As folhas seriam os alvéolos, que fazem a troca de gases.

Agora fica fácil entender:

BRONQUITE é uma inflamação nos brônquios e pode ser causada por vírus ou bactérias. Pode acometer crianças de várias idades, não é hereditária e às vezes antibióticos são orientados para o tratamento.

ASMA também é uma forma de inflamação dos brônquios. Só que geralmente não tem infecção associada e ocorre junto com um espasmo” dos brônquios. Isto significa que o músculo que envolve os brônquios “aperta”, fechando e dificultando a passagem do ar. A asma é hereditária e característica de crianças maiores.

BRONQUIOLITE – é uma inflamação consequente a uma infecção causada por vírus, principalmente um vírus chamado de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), e se localiza nos bronquíolos. Geralmente acomete bebês ou crianças pequenas. Não é hereditária.

Nas três situações, por causas diferentes, o resultado é que a passagem de ar fica muito difícil. Como um túnel que estreita na saída do ar. O chiado é o sinal característico. Reparem: o ar entra fácil nos pulmões. A dificuldade é a expiração, ou seja, a saída do ar para fora. O ar não consegue sair, fazendo com que a criança utilize os músculos abdominais para ajudar a “empurrá-lo” para fora. Assim, a barriga das crianças com asma, bronquite ou bronquiolite vai para frente e para trás para ajudar a expiração.  Os sintomas são mesmo muito parecidos. Mas cada uma tem sua causa e, por isso, cada uma pode ter uma indicação de tratamento diferente.

PNEUMONIA – é uma infecção, geralmente causada por bactérias ou vírus que acometem a região dos alvéolos, ou à sua volta, causando dificuldade na troca dos gases. Não é hereditária e pode acometer crianças de qualquer idade.

Bronquite, Asma ou Bronquiolite podem “virar” pneumonia?

Tanto a bronquite como a bronquiolite e a asma são doenças respiratórias na infância que dificultam a dinâmica da respiração. Nestas três situações brônquios e bronquíolos ficam inflamados e esta inflamação produz muita secreção. Esta secreção pode atingir os alvéolos no pulmão e, se estiver contaminada com agentes infecciosos pode, sim, dar pneumonia associada.

Quais os sinais de alerta?

A febre persistente, que não cede com facilidade e a  dificuldade para respirar com tranquilidade – após os início da terapêutica medicamentosa indicada- podem ser sinais que indicam pneumonia. Por isso, a melhor dica é ficar atento e avisar o médico ou ir a um PS para que seu filho possa ser reavaliado.

Qual é a diferença principal entre asma e bronquite?

Muita gente pensa que asma é a mesma coisa que bronquite. De fato são muito parecidas: as duas levam à falta de ar, provocam aquele “chiado” característico no peito, a respiração fica ofegante, difícil e “cansada”.

Mas há diferenças importantes entre elas. Saber quais são é importante para entender porque o tratamento da asma pode ser diferente do tratamento da bronquite. Então vamos lá!

Asma é uma doença crônica, sua principal característica é o broncoespasmo e a inflamação. Isso significa que os pequenos músculos que ficam nas paredes dos brônquios se contraem e diminuem o caminho de passagem do ar. Como um túnel que de repente se estreita. Por isso ouvimos aquele “chiado” na hora de respirar.

Já a bronquite é uma inflamação dos brônquios. É aguda quando é causada por agentes infecciosos como vírus ou bactérias, por exemplo. A consequência desta “agressão” é uma inflamação nos brônquios. Esta inflamação também estreita a passagem de ar, dificultando a respiração causando o “chiado” na hora de respirar. Existe também a bronquite crônica que se caracteriza por um excesso de secreção dentro dos brônquios. Um dos sintomas é aquela “tosse” com expectoração, muito comum em fumantes.

A boa notícia é que há remédio para as duas situações. E é bastante eficaz!

Para se ter uma ideia da eficácia destes remédios, olha esta notícia: há um ano o governo oferece de graça remédios contra a asma pelo programa Farmácia Popular. As farmácias credenciadas tem uma placa dizendo “AQUI TEM FARMÁCIA POPULAR”. Isto significa que muitos medicamentos para as doenças respiratórias na infância são vendidos com desconto de até 90%. Outros são entregues de graça, como é o caso de três remédios contra a asma.

Claro, para pegar os remédios é preciso levar a receita do médico. Asma e bronquite tem tratamento. Procure seus direitos e respire aliviado.

Três dicas para uma casa sem asma

Dica 1

Cuidado com pó e pelos de animais. Evite tudo o que possa juntar pó como objetos enfeitando mesas, livros em estantes, tapetes ou carpetes não laváveis, cortinas de pano muito pesadas ou bichinhos de pelúcia, por exemplo. Mantenha apenas o que for útil ou que tenha um valor emocional muito grande. Areje e limpe a casa DIARIAMENTE. Utilize um pano úmido para que o pó “grude” nele e não fique no ar. Panos secos ou espanadores levantam o pó, que fica no ar por alguns segundos e em seguida cai de novo no mesmo lugar. Não adianta nada fazer a limpeza com panos secos. Lave com frequência cortinas, tapetes e colchas. Não utilize produtos de limpeza com cheiro muito forte.

Dica 2

Veja a data de validade do seu colchão e travesseiro. Isso mesmo. Eles também têm data de validade e se forem muito antigos podem ter uma quantidade de pó e ácaros que é difícil remover. Troque a roupa de cama a cada 5 dias. Evite cobertores muito peludos e que não são laváveis. Use capas antialérgicas para travesseiros e colchões, elas são muito eficientes.

Dica 3

Não amontoe roupas nos armários. Isto junta muito pó. Sempre que possível, tire-as do armário, deixe-as tomar sol e aproveite para limpar as prateleiras. Doe as que você não usa mais. Faz bem para você e mais ainda para os outros.

Viva com simplicidade e sem exageros. Isto é bom para todos, com asma ou não!

Qual a diferença entre usar bombinha ou fazer inalação para tratar a crise de asma?

Quem tem asma sabe como a falta de ar dá angústia. É uma das sensações mais desconfortáveis que podem existir. A respiração fica difícil, pois os brônquios quase se “fecham”. O ar não consegue fluir por um espaço que de repente, fica apertado. Isso é o que chamamos de hiperreatividade brônquica. Pode acontecer por vários fatores: emocionais, alérgicos, infecciosos ou ambientais. E quando acontece, vem a crise aguda. E pode vir forte. Por isso, é importante saber o que fazer nesta hora.

Qual é o tratamento da crise de asma?

Há muitas medicações, mas só o médico pode orientar individualmente qual é o melhor tratamento. Alguns medicamentos, por exemplo, atuam especificamente nos brônquios, fazendo com que eles rapidamente se “dilatem”. Isso permite a passagem mais tranquila do ar. Por isso estes remédios são chamados de “broncodilatadores”.

Como eles precisam chegar rápido ao pulmão os medicamentos podem ser administrados por duas vias: inalação (também conhecida como nebulização) ou bombinha (aerossol dosimetrado). Na inalação, o remédio é adicionado ao soro fisiológico. O aparelho transforma esta combinação em uma “nuvem” ou “fumacinha” que deve ser inalada por 5 a 10 minutos, em média, para que toda a medicação seja administrada. Já na bombinha, o medicamento fica dentro de um frasco, guardado sob pressão. Quando o pressionamos, ele já sai na dose certa para ser inalado.

Como crianças e algumas pessoas não conseguem coordenar a inspiração e o jato, há os espaçadores, ou aero câmeras, que são uns tubinhos colocados entre o frasco e a boca. Isto facilita a aspiração e faz com que a dose completa e exata chegue aos pulmões em 30 segundos. Isto é muito rápido! Por este motivo muitos médicos recomendam as bombinhas porque elas permitem que os brônquios sejam dilatados rapidamente deixando a passagem livre para uma respiração tranquila.

Converse com seu médico, entenda e guarde a orientação completa para o tratamento na crise.

Esteja preparado! Respirar é viver!

Quais são os sinais de alerta na crise de asma?

Crianças ou idosos muitas vezes não conseguem verbalizar que estão com falta de ar. Alguns adultos também demoram para entender que a asma está chegando. Ficam mais retraídos e quietos para “economizar” forças e otimizar o pouco ar que respiram. Mas quanto mais cedo começamos o tratamento das crises – devidamente orientado pelo médico – melhor, pois isto evita que a crise de asma evolua para situações mais graves.

Por isso, reconheça logo os sinais de alerta. Aqui vão algumas dicas:

– Observe como a pessoa fala. Nas crises mais leves, crianças ou adultos conseguem falar apenas com algumas pausas. Nas mais graves elas tendem a economizar o ar para falar. Por isso, usam frases curtas, fazem pausas para respirar, ou até mesmo se exprimem com palavras entrecortadas pela respiração difícil.

– Fique atento aos movimentos respiratórios de quem tem asma. O esforço para respirar fica evidente com a gravidade da asma. Veja se a pessoa respira com a ajuda da barriga, se há retração dos músculos que ficam entre as costelas, ou se a região que fica logo abaixo do pescoço (chamamos de “fúrcula”) afunda com a respiração. Quem tem falta de ar utiliza todos os músculos que podem ajudar a “abrir” o pulmão. Por isso respirar exige esforço extra e cansa muito quem está em crise.

– Sonolência ou agitação fora do normal são sinais de que a consciência pode estar alterada pela falta de oxigênio. Crianças ou adultos com dificuldade para respirar que começam a apresentar qualquer tipo de alteração da consciência precisam de atenção especial.

O reconhecimento dos sinais de alerta é o primeiro passo para ajudar quem precisa respirar!

Informação correta é tão vital quanto o ar que respiramos! Saúde!!

Asma tem cura?

Asma é uma doença crônica. Isso significa que acompanha a pessoa para o resto da vida. Portanto, não existe “cura” para asma. Mas existe tratamento e a boa notícia é que sabemos muitas coisas sobre esta doença. Por isso, quem tem asma consegue ter uma vida totalmente normal e viver muito tempo, exatamente como quem não tem. Isso é o mais importante. Como?

Veja algumas dicas:

– Identifique o que desencadeia a crise. Isso varia de pessoa para pessoa. Cada um tem um. Os mais comuns são pó caseiro, poeira, pólen, cheiros fortes de perfumes ou de produtos de limpeza, por exemplo, fumaça, cigarro, poluição do ar, pelos de animais domésticos… muitas coisas, não é mesmo? Evite sempre o que chamamos de “gatilho” que é o que provoca a crise. Isso é muito importante.

 Há muitos medicamentos para uso diário que ajudam a evitar as crises e exacerbações da asma. Este tratamento de “manutenção é muito eficaz e permite uma vida tranquila e com qualidade. Mas só o médico é que pode orientar o tratamento adequado para cada um. O que serve para uma pessoa pode não servir para outra. Lembre-se que a asma tem características individuais muito marcantes.

 Saiba exatamente o que fazer se a crise chegar. Converse previamente com seu médico e sempre tenha em casa os medicamentos que devem ser utilizados nas crises. E se sentir que uma crise está começando, não deixe evoluir. Quanto antes o tratamento correto for administrado, melhor. Se for viajar, não esqueça de levar estes medicamentos. Ambientes novos podem ter “gatilhos” inesperados.

 Pratique exercícios físicos que aumentem a capacidade respiratória. Exercitar os músculos que utilizamos normalmente para respirar nos deixa mais bem preparados para uma crise. Natação é um excelente exemplo.

Cuidados com Pneumonia

A pneumonia é uma infecção nos alvéolos pulmonares. Se nosso pulmão fosse uma árvore, os alvéolos seriam as folhas da árvore. Geralmente é causada por bactérias, e tratada com antibióticos.

Os sintomas da pneumonia são: febre, tosse, dificuldade para respirar. Na ausculta pulmonar o médico consegue identificar sinais que indiquem a doença, mas um raio X de tórax pode confirmar o diagnóstico. Importante saber que, no caso da pneumonia, o diagnóstico clínico costuma ser mais eficiente do que o diagnóstico de imagem, que às vezes dá um resultado duvidoso.

As vacinas contra pneumonia (Pneumococos e Hemophilus influenzae) são muito eficazes e diminuíram muito o número de casos. Por outro lado, surgiram outros microrganismos que causam o que chamamos de pneumonias atípicas. O fato de serem atípicas não significa que sejam mais graves. É que este grupo de agentes podem não afetar os alvéolos, mas atingir outras áreas do pulmão. Ou, não causar febre, por exemplo. Mesmo sendo “atípicas”, o tratamento com antibióticos específicos é eficaz e a evolução dos pacientes, muito boa.

O que é pneumonia atípica?

O nome assusta principalmente quando falamos sobre doenças respiratórias na infância. Lembra algo raro, de difícil controle. Afinal, o que é “atípico”, por definição, não é típico, não é normal, não é comum. E se não é comum, pode ser perigoso. Essa é a primeira interpretação que todos fazem quando um médico diagnostica “pneumonia atípica”. Mas não é bem assim.

A pneumonia considerada “típica” é causada por algumas bactérias comuns e que são há tempos conhecidas. Mas nem por serem “típicas” são menos graves. Algumas, inclusive, são muito invasivas e podem causar sequelas pulmonares importantes.

As pneumonias consideradas “atípicas” são causadas por microrganismos menos frequentes, mas não necessariamente mais agressivos. Para a maioria deles há tratamento eficaz. O nome atípico vem do fato de que algumas destas pneumonias causam pouca ou nenhuma febre. O exame clínico revela poucos dados à ausculta pulmonar. O raio X também tem um padrão diferente da pneumonia tradicional. As “atípicas”, portanto, tem um conjunto de sinais e sintomas que as diferencia  das “típicas”. Isso não significa maior ou menor gravidade. São apenas diferentes. Simples assim.

Com o advento de novas vacinas, principalmente contra o pneumococo, que é a bactéria que mais comumente causa pneumonia “típica” em crianças, os microrganismos “atípicos” estão aparecendo mais. Por isso há mais diagnósticos e, claro, mais pais assustados com esse nome.

Nem tudo o que é “atípico” é pior. Afinal, ganhar na loteria também pode ser considerado “atípico”, não é mesmo?