24/03/2019 13:46h

Creche ou babá?

Para as mães que trabalham fora, o fim da licença-maternidade significa o momento de uma decisão: colocar o filho na creche ou deixar com uma babá ou alguém da família.

Não há uma resposta certa ou errada. Há uma resposta adequada à realidade da família. Pensar os prós e os contras podem ajudar na análise da melhor solução, vamos lá:

– espaço físico: nas creches geralmente há mais espaço e opções de brincadeiras do que em casa. Em algumas situações é possível optar por um lugar que há maior contato com a natureza, ampliando as experiências sensoriais dos bebês. Os espações geralmente são pensados para receber os bebês e evitar acidentes

– cuidadores: na creche, os cuidadores são treinados e capacitados para estimular as crianças além de cuidar da higiene e da segurança. Em casa dificilmente um único cuidador irá ter todas estas qualidades. Na creche se algum funcionário se ausenta não há impacto na rotina da família. O contrário acontece em casa. É preciso ter um plano para estas situações que podem ocorrer.

– na creche as crianças se socializam mais e ficam menos sensíveis se pessoas diferentes aparecem para cuidar. No entanto, a construção do vínculo com uma única pessoa fica mais difícil, já que uma equipe é responsável por todos os cuidados. E como vimos, o vínculo afetivo com o cuidador é muito importante para a neuroplasticidade.

– se o vínculo afetivo com o cuidador da casa é muito forte, a criança pode desenvolver um vínculo exagerado, causando até dependência. Isto não é bom, pois pode ser um obstáculo para o pai e a mãe. Um termômetro para isto é observar se a criança, num momento de estresse, prefere o colo do cuidador ao colo da mãe.

– deslocamento diário: escolha a creche mais perto da sua casa, quanto maior a distância ou mais tempo no trânsito, pior para o bebê. Para os bebês que ficam em casa esta é uma questão que não existe.

– risco de doenças: o convívio com outras crianças aumenta o risco de doenças porque alguns vírus podem ser transmitidos antes de uma manifestação aguda. Em casa, o risco de infecções é bem menor. Importante: pessoas doentes na casa, inclusive o cuidador, não devem ter contato com a criança enquanto não cessarem os sintomas.

– a alimentação na creche tende a ser mais equilibrada do que em casa, já que geralmente é supervisionada por uma nutricionista. As crianças também tendem a aceitar todos os alimentos e não fazer manha para comer.

– na creche a rotina é homogênea para todas as crianças, havendo pouco espaço para particularidades. Em casa, é possível respeitar mais o ritmo e o tempo de cada bebê, já que os horários são mais flexíveis.

– limites: na creche os limites tendem a ser homogêneos, iguais para todas as crianças, e previamente acordados com os pais. Em casa, especialmente se o cuidador é alguém da família, o estabelecimento de limites e rotinas é mais difícil de controlar, causando inclusive conflitos.

Dra Ana Escobar

Dra Ana Escobar

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria. Atualmente, é coordenadora da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social desse mesmo departamento. Ainda na área educacional, é responsável pelas disciplinas de graduação e pós graduação sensu lato e sensu stricto da Faculdade de Medicina da USP.
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