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Choro dos bebês: entenda as causas mais comuns

Por que meu bebê está chorando? Entenda as principais causas do choro dos bebês e quais são os sinais de alerta mais importantes que devem ser investigados. Posso deixar meu filho chorar? Em quais situações?

O choro dos bebês pequenos é sempre um sinal de alerta para os pais. Um alerta e ao mesmo tempo uma preocupação. Vamos entender um pouco mais sobre o choro dos bebês pequenos.

Por que o bebê chora?

O choro é uma forma de falar, de se expressar.  Bebês “falam” com o choro. Podemos dizer que o choro é a única língua universal, pois um bebezinho chinês chora como um bebê norueguês, que chora como um bebê brasileiro. Pais de primeira viagem, depois de alguns dias conseguem identificar a causa do choro dos bebês.

Como identificar a causa do choro dos bebês?

Há basicamente 4 tipos de choro facilmente identificáveis:

  • Choro de fome: é um choro agudo, alto, vigoroso, forte. A característica deste choro é que cessa quando o bebê começa a mamar.
  • Choro de dor: é muito parecido em intensidade com o choro de fome. Alto, forte e vigoroso. Porém, não cessa quando a criança é colocada para mamar. Ao contrário, muitas vezes o bebê se irrita mais ainda. Muitas vezes, durante o choro de dor o bebê estica as perninhas, em sinal de desconforto.
  • Choro de manha: é um choro “falso” que muitas vezes nem vem acompanhado de lágrimas. Geralmente cessa quando se pega o bebê no colo.
  • Choro para descarregar as energias: este tipo de choro é fraco e intermitente e é mais como um “resmungo” do bebê, uma “reclamação”. Muitas vezes basta mudar a posição do bebê que o choro passa.

Quais são os tipos de choros de bebês que mais preocupam?

Sem dúvida nenhuma que é o choro de fome e de dor. Estes “choros” fortes, vigorosos, que deixam o bebê mais “vermelhinho” de tanto chorar merecem ser acudidos.

Como saber se é dor ou fome?

Como acima explicado, geralmente o choro de fome em geral cessa quando o bebê começa a mamar. Pode às vezes demorar alguns minutos para que ele se acalme e consiga mamar tranquilamente. Há que ter paciência e não estressar. Converse com ele em um tom bem tranquilo e assertivo, pois o bebê consegue identificar as vozes do pai e da mãe e isso pode o acalmar.

IMPORTANTE: o choro de fome, porém, pode NÃO CESSAR quando o bebê é colocado para mamar em uma circunstância: ele não está conseguindo sugar o peito da mãe. Isso pode acontecer ou porque a pega não está correta, ou porque a extração e/ou produção do leite estão difíceis. A “dica” nesta situação é ver se o ganho de peso está adequado e bom. Se não estiver, reveja as técnicas de amamentação.

O choro de dor, por sua vez,  é intenso e não passa com a tentativa de alimentação. Este choro merece uma conversa com o pediatra para que se possa identificar as suas causas mais comuns.

Quais são as principais causas do choro de dor?

Os pequenos bebês podem sentir dor ou desconforto por várias causas. Vamos abordar 2 causas mais comuns e frequentes: a cólica e o refluxo gastro esofágico.

O que é a cólica dos bebês?

Não há uma causa clara para a cólica dos bebês. Acredita-se que seja pela intensa e incoordenada movimentação intestinal. Como o intestino é muito ativo nos pequenos bebês, a produção de gases também é maior. O resultado desta combinação de movimento e gases é a cólica.

Como é o choro da cólica?

É um choro intenso, que acontece em geral no final da tarde e noite. Não há nenhuma explicação plausível para esse horário. Enfim, é um choro em que o bebê fica nitidamente irritado, não quer mamar, estica as perninhas e a barriguinha pode estar mais “estufada”pelos gases.

Muitas vezes o choro para depois que o bebê consegue eliminar os gases.

O que fazer com a cólica?

 Primeira atitude: não se desespere e procure manter a calma. Seu bom estado de ânimo é importante para o bebê. Pais nervosos tendem a maximizar as crises.

Cinco manobras que podem ajudar a crise de cólica:

  • Pegue uma fraldinha aquecida e coloque na barriga do bebê. Só isso já pode ser suficiente para acalmá-lo. É possível, no entanto, associar a fralda quentinha com as manobras abaixo descritas;
  • Com calma, procure fazer uns exercícios com as perninhas do seu filho. Coloque-o deitado de barriga para cima, retire as fraldas e gentilmente dobre as pernas do bebê  na região dos joelhos e faça uma compressão,  encostando  as coxas na região da barriga, por uns 5-10 segundos. Repita essa manobra umas 5 vezes. Isso pode ajudar o bebê a eliminar gases e/ou fezes e aliviar a dor;
  • Com o bebê deitado de barriga para cima, faça uma massagem na barriguinha, com uma leve compressão para baixo, no sentido horário;
  • Coloque-o deitado de bruços na sua cama. A seguir, coloque sua mão aberta em baixo da barriguinha do seu filho e faça uma leve compressão para cima. Se sua mão estiver bem quentinha, melhor;
  • Coloque-o de bruços nos seus braços, segurando-o na transversal no seu colo da seguinte maneira: a sua mão esquerda deve ficar embaixo da barriguinha, fazendo uma leve compressão para cima. Uma  perninha de um lado do seu antebraço esquerdo e outra do outro, ambas direcionada para o chão. Com a mão direita segure o tronco e a cabecinha. Você pode até andar bem devagar com o seu filho nesta posição.

Se estas manobras não forem suficientes para atenuar as crises de cólica, converse com seu pediatra, pois há algumas medicações disponíveis que podem ajuda-lo a eliminar gases, quando este for o caso. Mas lembre-se: só o seu  médico é que pode orientar e prescrever a medicação e a dose  indicadas para o seu filho.

Há algo a ser feito para prevenir a crise de cólica? A alimentação da mãe pode piorar a cólica?

Muitas mães se impõem restrições alimentares severas na tentativa de evitar que seu filho tenha crises de cólica. Importante saber, como já discutido no capítulo de amamentação, que não há uma única regra de restrição que se aplique a todas as mães. Cada duplinha mãe-bebê tem uma característica diferente em relação à tolerância alimentar. Alguns bebês, de fato, se beneficiam quando a mãe deixa de tomar leite ou de comer feijão ou chocolate, por exemplo. Mas isso não é regra geral. Cada mãe tem que estar atenta à relação de causa-efeito. Assim: quando o seu filho apresentar uma crise de cólica muito intensa procure identificar qual foi o alimento consumido nas últimas 24 horas que poderia ter causado a cólica. Uma vez identificada a causa, a solução já está pronta. Basta a mãe suspender do seu cardápio o alimento que deu cólica no bebê e…pronto!

O que é o  refluxo gastro esofágico? Por que dá choro de dor?

O refluxo é a passagem de leite do estômago para o esôfago. Fica fácil perceber quando o bebê regurgita bastante. No entanto, nem todos os bebês regurgitam e tem o que podemos comumente chamar de “refluxo oculto”. Isso significa que o leite passa para a parte inferior do esôfago e volta para o estômago. Não chega a sair. Por isso não o vemos.

O grande problema é que o estômago tem muito ácido. Quando há o refluxo, o esôfago recebe uma quantidade maior de ácido e fica “queimado”. Isso dá muita dor e choro intenso.

Quais as medidas que melhoram o refluxo e atenuam o choro?

Veja algumas dicas que ajudam atenuar o refluxo gastro esofágico:

  • Na hora de mamar, segure seu filho no colo de forma mais  inclinada, sempre com a cabeça mais alta do que o tronco e o abdômen;
  • Não se esqueça de fazê-lo arrotar depois. Espere até uns 20 minutos, se assim for necessário, para que seu filho arrote. É importante que o bebê que tem refluxo arrote pois quando o ar sai e “esvazia” um pouquinho o estômago, o refluxo naturalmente tende a diminuir;
  • Depois coloque-o para dormir, sempre de barriga para cima e cabeça de lado;
  • Coloque um colchão antirrefluxo no berço no seu filho.  Permite  que o bebê fique “inclinado”, naturalmente posicionando  a cabeça mais alta em relação ao corpo, dificultando o refluxo;
  • NÃO aperte demais as fraldas do bebê. Nem coloque roupinhas que apertem a barriga. A pressão pode piorar o refluxo;
  • EVITE trocar o bebê logo após as mamadas. Se ele tiver feito cocô, então troque-o. Mas evite levantar demais as perninhas. Limpe-o com cuidado movimentando-o o mínimo possível.

Como saber se é choro de cólica ou de refluxo?

É difícil distinguir em muitas vezes. O choro de cólica é muito parecido com o de refluxo. Importante lembrar :

  • A cólica normalmente cessa com 3 meses. Se seu bebê estiver chorando muito depois dos 3 meses, converse com seu pediatra;
  • O choro de cólica melhora quando o bebê elimina gases. O de refluxo não melhora;
  • O choro de refluxo pode dar em qualquer hora do dia. O da cólica geralmente acontece à tardinha e à noite;
  • O choro do refluxo se intensifica quando o bebê é colocado no berço e melhora com a posição vertical;
  • O bebê com refluxo pode regurgitar bastante.
Publicado por Dra. Ana Escobar
Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), pela qual também obteve Doutorado e Livre Docência no Departamento de Pediatria.