06/11/2017 09:22h

Febre Amarela

O que é a Febre Amarela?

A Febre amarela é uma doença causada por um vírus que entra em nosso organismo pela picada de mosquitos contaminados. Estes mosquitos transmissores da febre amarela vivem nas matas ou beira dos rios (Haemagogus e Sabethes) ou em áreas urbanas (Aedes Aegypti).

Febre amarela urbana e silvestre: é a mesma doença ou são vírus diferentes?

O vírus que causa a febre amarela urbana e a silvestre é exatamente o mesmo. A diferença está “apenas” no tipo de mosquito transmissor. A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes que vivem nas matas e rios e a febre amarela urbana é transmitida pelo Aedes aegypti que vive nas cidades. O vírus é o MESMO e a doença é a MESMA. Só o tipo de mosquito é que é diferente. No Brasil, não existe nenhum caso de febre amarela urbana, isto é, transmitida pelo Aedes aegypti desde 1942.

Qual é, então, o grande risco da febre amarela tornar-se urbana?

Se uma pessoa na região das matas for picada e contaminada pelos mosquitos transmissores da febre amarela silvestre vier para a cidade, pode ser picada pelo Aedes que existe em tudo quanto é canto, espalhado e disseminado por quase todas as cidades brasileiras. Pronto! Teremos um Aedes contaminado voando por aí. Certamente este Aedes picará uma e outras pessoas susceptíveis. E mais Aedes se contaminarão e picarão outras e outras mais. Haverá mais gente e mais Aedes contaminados voando. E assim por diante. Resultado: muitas e muitas pessoas, em curto espaço de tempo, podem se contaminar. Neste cenário, a chance de um surto urbano é muito maior e mais preocupante. O número de pessoas acometidas – e o número de mortes – seria muito maior. Teríamos que vacinar TODA a população. E evitar que os mosquitos picassem quem não pode receber a vacina.

E os macacos? São também transmissores de febre amarela?

NÃO. Os macacos NÃO transmitem a febre amarela. Ao contrário, eles são vítimas da doença como todos nós. Esta doença, portanto, pode matar pessoas e macacos. Por isso, quando se constata morte de macacos nas matas, tem-se a certeza de que o vírus da febre amarela existe na região. Nesta situação, todas as precauções são necessárias para evitar que os mosquitos transmissores espalhem a doença. Por isso fecham-se parques onde houve morte de macacos e indica-se um “cinturão” de vacinação para todos os que moram perto das regiões acometidas

Como ocorre o contágio? Existe contágio direto de pessoa para pessoa?

NÃO existe contágio direto de pessoa para pessoa. O contágio só é possível pela picada do mosquito. Da seguinte forma: um mosquito pica um macaco ou uma pessoa contaminada. O vírus entra no corpo do mosquito que passa, instantaneamente, a ser transmissor da doença. A próxima pessoa (ou macaco) susceptível picada pode adquirir a febre amarela.

Por que esta febre se chama “amarela”? Quais os primeiros sinais?

Os sintomas iniciais são como os de uma gripe mais forte com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, mal estar, enjoo e vômitos. Depois de uns 2 -3 dias as pessoas podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento do fígado e dos rins. Um dos sinais de gravidade da doença é a icterícia, que deixa os olhos e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Por isso esta febre se chama “amarela”. A maioria das pessoas evolui bem, mas algumas fazem o que se chama febre amarela hemorrágica, quando surgem sinais de hemorragia como sangramento de mucosas. Estas formas mais graves podem evoluir para o óbito. Felizmente são mais raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença fica imune para o resto da vida.

Há formas de prevenção da febre amarela?

SIM. Duas formas são as mais importantes e recomendadas: a vacina e as precauções contra as picadas dos mosquitos.

Quem pode tomar a vacina?

A vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de 9 meses e adultos com menos de 60 anos. Bebês de 9 meses podem tomar a primeira dose e um reforço aos 4 anos de idade. Para os adultos, 2 doses, com intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar. Estudos atuais indicam que apenas uma dose pode ser suficiente para garantir a proteção. Não é necessário repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina, desde que liberadas pelo médico que as assiste.

Gestantes podem ser vacinadas? E os bebês com menos de 9 meses? E quem está amamentando?

A vacina não é rotineiramente indicada para as gestantes. No entanto, cada futura mamãe merece uma avaliação individual e o médico pode avaliar o risco e o benefício para cada situação. Quem está amamentando também NÃO deve receber a vacina. Em bebês com menos de 6 meses a vacina é contraindicada. Para os que tem de 6 a 9 meses, a vacina pode ser dada, em situações especiais, desde que indicada pelo médico. Em épocas de surtos, em geral recomenda-se vacinar os bebês acima de 6 meses.

E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?

Pode sim, desde que esteja no grupo recomendado e desde que não tenha nenhuma contraindicação para esta vacina.
Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode toma-la?

As contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês com menos de 6 meses ou pacientes portadores de doenças que cursam com imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão. Nestas duas últimas situações, pode haver algumas exceções definidas e orientadas pelo médico que assiste cada paciente.

Existe tratamento específico para a febre amarela?

Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.

Qual o repelente indicado para nos proteger contra a picada do mosquito transmissor da febre amarela?

A Organização Mundial de Saúde indica 3 tipos de repelentes como eficazes: o DEET, o IR3535 e Icaridina. Todos estes estão liberados pela Anvisa e são vendidos no Brasil. Vejam, portanto, se um destes nomes está na embalagem do produto que você vai comprar. No entanto, há que se ficar atento ao seguinte:

– IR 3535: é um repelente de baixa toxicidade, que pode ser utilizado em crianças com mais de 6 meses, idosos e gestantes. No entanto, deve ser reaplicado a cada 2 horas.

– DEET: NÃO é recomendado para crianças com menos de 2 anos de idade. Para crianças de 2 a 12 anos a concentração máxima deve ser de 10%. Dura 2 horas e pode ser reaplicado no máximo 3 vezes ao dia. Liberado para gestantes e idosos.

– ICARIDINA: pode ser utilizado para crianças de 6 meses a 2 anos de idade, na concentração de 20%. A partir de 2 anos a concentração deve ser de 25%. Dura em média 10 horas e pode ser reaplicado quando precisar. Além disso, pode ser utilizado junto com protetor solar. Liberado para gestantes e idosos.

Como passar corretamente o repelente de insetos?

Vamos às dicas para aplicar corretamente o repelente e espantar para longe os mosquitos e as preocupações:

1. Passe o repelente homogeneamente, em todas as partes expostas do corpo. Isso mesmo. Não deixe nenhuma área exposta sem proteção. Além disso, não economize na quantidade. Aplique uma quantidade suficiente para cobrir a superfície exposta do seu corpo.

2. Cuidado com a região da face, principalmente com olhos, nariz e boca. O melhor a fazer para se proteger é passar o repelente nas suas mãos e aplica-lo no rosto como um creme.

3. Com protetor solar, maquiagem, cremes ou hidratantes: passe primeiro o protetor solar, espere uns 15 minutos e depois aplique o repelente. O mesmo vale para a maquiagem. Só que não precisa esperar 15 minutos. O repelente pode ser aplicado logo após a maquiagem.

4. Reaplique o repelente sempre que necessário. Seja repetitivo. Nos dias muito quentes, se você suar muito ou praticar esportes, principalmente aquáticos, o repelente deve ser reaplicado. Fique atento, no entanto, ao tipo de repelente que você utiliza. Os que tem como produto ativo o DEET não devem ser reaplicados mais de 3 vezes ao longo do dia. Os que são à base de Icaridina e IR3535 podem ser reaplicados mais frequentemente.

5. Durante a noite: não se deve passar repelente imediatamente antes de ir para a cama. Vale para adultos e crianças. O repelente tem que evaporar para fazer efeito. Por isso, quando nos cobrimos à noite, o repelente não evapora. Além disso, o repelente pode facilmente ser eliminado do corpo com o atrito nos lençóis.

Quais outras formas de proteção existem para nos proteger dos mosquitos?

Medidas simples e eternamente eficazes:

EM CASA:

– Coloque telas protetoras nas janelas, principalmente dos quartos. Fazem uma importante barreira mecânica de proteção.
– Coloque mosquiteiros nos berços dos bebês e sempre que possível na cama das crianças.<
– Existem repelentes que podem ser usados nos mosquiteiros e nas telas, deixando-os ainda mais eficazes.
– Use protetores de tomadas. Lembre-se, no entanto, que camas e berços devem ficar a uma distância de 2 metros dos mesmos.
– Ligue o ar condicionado ou ventiladores. O frio e o ar em movimento “espantam” os mosquitos do ambiente.

NA RUA:

– Passe repelente de insetos. A OMS recomenda, como eficazes, o IR 3535, o DEET e a Icaridina. Confira na embalagem a indicação de idade e o tempo de proteção que o fabricante garante. Lembre-se que apenas a Icaridina e o IR 3535 podem ser utilizados em bebês maiores de 6 meses.
– Reaplique o repelente sempre que necessário, principalmente se você praticar alguma atividade física, suar muito ( em dias muito quentes, por exemplo), ou entrar na piscina e no mar. Mas fique atento: repelentes à base de DEET só podem ser replicados 3 vezes ao dia. Para a Icaridina e IR 3535 não há restrição de uso.
– Se for utilizar repelente e protetor solar, coloque primeiro o protetor, aguarde 15 minutos e por último coloque o repelente.
– Quem usar maquiagem: primeiro passe a maquiagem e depois o repelente.
– Use roupas claras e de preferencia de mangas compridas.

Proteja na rua e em casa o que você tem de mais valioso: a sua vida e a dos que estão perto de você.

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